A liderança da China no Pisa de 2025 é baseada nos resultados de quatro províncias: Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang. Juntas, elas concentram cerca de 13% da população chinesa e estão entre as cinco primeiras do país em renda per capita. A amostra, portanto, não representa a China como um todo.
A participação chinesa no Pisa mudou ao longo das edições. Em 2009, os testes foram aplicados em 12 das 22 províncias do país, mas apenas os resultados de Xangai foram publicados. Andreas Schleicher, diretor de Educação e Habilidades da OCDE, afirmou posteriormente que os dados das demais províncias não foram divulgados por serem considerados não representativos, embora antes tivesse descrito os resultados dessas regiões como impressionantes.
Em 2012, somente Xangai participou e ficou em primeiro lugar. Na edição de 2015, Pequim, Jiangsu e Guangdong foram avaliadas ao lado de Xangai. O grupo caiu para sexto lugar em matemática, décimo em ciências e vigésimo sétimo em leitura no ranking global.
Mudanças na amostra
Em 2018, Guangdong foi substituída por Zhejiang, sem explicação do governo chinês ou da OCDE apresentada no texto. Guangdong tem forte desigualdade socioeconômica entre áreas urbanas e rurais, enquanto Zhejiang apresenta a menor disparidade entre as províncias mencionadas. Depois da alteração, a China voltou ao topo do ranking.
A mudança geográfica impede comparações diretas entre as edições, porque os estudantes avaliados não pertenciam sempre às mesmas regiões. Ao longo das edições entre 2009 e 2018, a China alterou as províncias testadas por três vezes.
Em 2022, o país não participou. A China não conseguiu reunir os resultados de acordo com os critérios da OCDE, que exigiam provas presenciais, durante um período de lockdown que também atingiu as escolas.
Na edição de 2025, reapareceu com as mesmas quatro províncias de 2018. A OCDE reconhece que “as quatro províncias (Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang) na China ocidental estão longe de representarem a China como um todo”. No mesmo documento, porém, afirma que o tamanho de cada uma se compara ao de um país-membro típico da organização, com população total de mais de 180 milhões de pessoas.
Como os resultados são apresentados
Nos relatórios da OCDE, o grupo aparece como “B-S-J-Z (China)”, e não simplesmente como China. Ainda assim, em alguns gráficos da publicação “Benchmarking the Performance of China’s Education System”, as colunas são identificadas apenas como “China”. Essa nomenclatura pode levar à divulgação dos resultados como se representassem o país inteiro.
A participação parcial também ocorre em poucos outros casos. O Azerbaijão testa apenas estudantes da capital, Baku. A Ucrânia deixou de aplicar o exame nas regiões ocupadas desde a invasão russa em 2022. O Curdistão, por sua vez, é uma região separatista do Iraque.
Macau e Hong Kong são consideradas regiões administrativas especiais. A questão central, porém, é a diferença entre medir o desempenho médio de um país e avaliar regiões específicas. A amostra chinesa reúne áreas com indicadores de renda elevados e não permite tratar o resultado como retrato nacional.
A falta de transparência sobre os dados exige cautela na interpretação dos rankings. A divulgação dos números precisa deixar claro que o desempenho se refere às quatro províncias avaliadas, e não à população chinesa em sua totalidade.








