Os zillennials são pessoas que se situam entre os millennials e a geração Z, mas não se identificam completamente com nenhum dos dois grupos. O termo combina as palavras millennial e Gen Z e descreve uma microgeração marcada pela transição entre experiências analógicas e digitais.
Millennials são geralmente associados aos nascidos entre 1981 e 1996. Já a geração Z reúne, em recortes amplamente utilizados, pessoas nascidas entre 1997 e 2012. Para os zillennials, porém, não existe uma definição científica única sobre os anos de nascimento.
Um estudo publicado em 2025 no Jurnal Lingue: Bahasa, Budaya dan Sastra analisou 22 trabalhos sobre o tema. A conclusão apresentada na literatura é que os zillennials ocupam uma faixa entre os millennials mais jovens e os integrantes mais velhos da geração Z.
Uma geração de transição
A psicóloga e pesquisadora em cyberpsicologia Juliana Taha, autora do livro Zillennials: Uma geração em transição, afirma que as experiências vividas são mais importantes do que estabelecer uma data exata para definir o grupo. “É sobre o tipo de vivência e experiência que a pessoa teve nessa questão de ter nascido em um mundo analógico, mas ter crescido na adolescência nessa fase mais digital”, diz.
Os zillennials ainda não são reconhecidos formalmente como uma geração independente. As classificações também têm limitações porque comportamentos e experiências sofrem influência de fatores sociais, econômicos e individuais.
A relação com a tecnologia é descrita como digital-first, mas não digital-only. Isso significa que essas pessoas tendem a escolher primeiro soluções digitais para realizar tarefas, buscar informações e se comunicar, mas não dependem exclusivamente delas. A familiaridade com práticas anteriores à digitalização permite alternar entre ferramentas digitais e alternativas analógicas.
Essa experiência também pode influenciar a relação com novas tecnologias. Em vez de aderir automaticamente a uma novidade, os zillennials tendem a valorizar recursos considerados úteis, confiáveis e convenientes.
Trabalho e prioridades
A relação com o trabalho também aparece associada a mudanças nas expectativas sobre a vida adulta. O roteiro formado por estudar, construir uma carreira, casar, ter filhos e comprar uma casa se tornou menos rígido entre os zillennials.
O trabalho continua relevante, mas divide espaço com relacionamentos, hobbies, viagens e experiências pessoais. Para Juliana, essa mudança está ligada tanto a valores quanto às condições econômicas e profissionais. Uma graduação não determina necessariamente a carreira, enquanto novas ocupações e transformações tecnológicas exigem adaptação constante.
A busca por propósito, qualidade de vida e equilíbrio entre vida pessoal e profissional aproxima os zillennials da geração Z. Ainda assim, Juliana identifica entre eles uma disposição maior para permanecer por mais tempo em situações profissionais desconfortáveis antes de decidir por uma mudança.
Saúde mental
Os millennials cresceram em um período com menos espaço para discutir sofrimento emocional. Já os zillennials acompanharam uma abertura maior para temas como ansiedade, burnout e terapia. A observação do adoecimento de gerações anteriores também contribuiu para dar mais importância ao cuidado com a saúde mental.
Essa maior abertura não significa necessariamente que o sofrimento seja menor. “As gerações sofrem igual, só que a forma que elas lidam e o espaço que elas têm para lidar é diferente”, afirma Juliana.
Na avaliação da psicóloga, os zillennials podem ter mais facilidade para reconhecer que tristeza, raiva e frustração fazem parte da experiência humana e para diferenciá-las de situações em que o sofrimento se torna problemático. A diferença em relação à geração Z estaria na maneira de interpretar e tolerar essas emoções, e não em uma menor capacidade dos jovens de perceber o próprio sofrimento.
A experiência com a exaustão também pode influenciar o estabelecimento de limites. Preservar a saúde mental passa a ser entendido não apenas como evitar o adoecimento, mas como criar condições para manter o trabalho e outras áreas da vida no longo prazo.








