O técnico William Batista fez um balanço do trabalho no Corinthians Sub-20 e destacou a preparação mental dos jogadores como parte central da formação nas categorias de base. À frente da equipe há um ano, ele também comentou o desempenho esportivo, a influência das redes sociais e a preparação para a transição ao elenco profissional.
O Corinthians se classificou para as quartas de final do Campeonato Brasileiro Sub-20, feito que não alcançava havia três anos, e continua no Campeonato Paulista após eliminar o XV de Jaú na segunda fase. No Brasileiro de 2026, porém, a equipe foi eliminada pelo Palmeiras logo no primeiro confronto. O rival chegou à final e perdeu para o Vasco.
Comparação com a geração de 2022
William Batista comparou o atual grupo com a equipe de 2022, vice-campeã brasileira e paulista, que tinha jogadores como Murillo, João Pedro Tchoca, Gabriel Moscardo e Breno Bidon. O aproveitamento dos dois times é semelhante: 67,38% em 2022, com 29 vitórias, oito empates e dez derrotas, contra 61,67% neste ano, com 22 vitórias, oito empates e dez derrotas.
Para o treinador, a recuperação da autoestima da categoria e a criação de um ambiente de cobrança e excelência nos treinamentos foram pilares do trabalho. Ele também citou o respaldo da diretoria e a organização dos processos por Damiani, com apoio de Ricardo Drubscky.
Na avaliação de Batista, a equipe atual se caracteriza pela disposição para competir, pelo entendimento do peso da camisa do Corinthians e pela busca de um jogo agressivo, com pressão sobre o adversário e capacidade de manter a posse quando necessário.
Preparação para o profissional
O treinador afirmou que preparar os jogadores mentalmente é tão importante quanto desenvolver os aspectos técnico e físico. Nos últimos dois anos, André Luiz, Gui Negão e Dieguinho chegaram ao profissional. O zagueiro Iago Machado também foi titular em dois jogos antes da Data Fifa.
Batista defendeu que cada atleta tenha um plano de desenvolvimento individual. Para ele, não é adequado comparar jogadores que chegam ao profissional em momentos diferentes. Alguns podem atuar em alto nível aos 17 anos, enquanto outros atingem melhor desempenho aos 22.
A orientação, segundo o técnico, deve ser para que o atleta se prepare diariamente, sem ansiedade sobre quando a oportunidade vai aparecer. O foco deve estar em como ele estará pronto quando a chance surgir.
O treinador também relativizou o papel do técnico na vida dos jovens. Ele afirmou que convive com os jogadores por um período limitado do dia, enquanto família, empresários e amigos participam de uma parcela maior da rotina. Na visão de Batista, todos compartilham a responsabilidade pelo desenvolvimento humano dos atletas, mas o jogador precisa demonstrar interesse em aproveitar a ajuda recebida.
Redes sociais e pressão
Batista disse que as redes sociais fazem parte da rotina dos jovens e não podem ser simplesmente afastadas do processo de formação. O desafio, segundo ele, é ensinar os atletas a administrar os efeitos dos comentários e da pressão por resultados com maturidade.
O treinador avaliou que o futebol expõe os jogadores muito cedo à cobrança baseada em vitórias e derrotas. Para ele, a pressão pode ser encarada como um privilégio por representar a realização de um sonho, desde que o atleta consiga reduzir a influência negativa das redes sociais sobre seus sentimentos.
Estilo de jogo
Na parte tática, William Batista defendeu que os jogadores desenvolvam repertório para interpretar as situações da partida e tomar decisões. Mais importante do que seguir um único esquema ou iniciar sempre as jogadas da mesma forma é reconhecer quando a melhor opção é avançar, circular a bola ou recuar para reorganizar a equipe.
O trabalho do Corinthians Sub-20 busca ensinar os atletas a identificar as vantagens oferecidas pelo jogo, tanto para quem passa quanto para quem recebe. A proposta envolve circulação, apoio e coordenação coletiva, com uma equipe capaz de se adaptar às circunstâncias da partida.
O objetivo, de acordo com o treinador, é usar essas escolhas para criar oportunidades de gol e evitar que o adversário marque. A interpretação das situações deve permitir um jogo mais fluido e a exploração das fragilidades defensivas do rival.
Oportunidades para treinadores brasileiros
Batista também defendeu mais oportunidades para treinadores brasileiros formados nas categorias de base. Ele afirmou que o país tem profissionais preparados para trabalhar no futebol, mas que a escolha deveria considerar a competência, sem levar em conta idade, formação acadêmica ou clube de origem.
Para o técnico, a presença de estrangeiros não garante sucesso e também não elimina a possibilidade de resultados negativos. Na avaliação dele, muitas vezes é mais simples justificar a contratação de um estrangeiro do que dar espaço a um treinador brasileiro jovem.
No Campeonato Paulista, o Corinthians Sub-20 aguarda a definição do adversário das oitavas de final depois de eliminar o XV de Jaú na última sexta-feira.









