A identificação de sinais de sofrimento mental e o acolhimento de pessoas em crise foram destacados como medidas de prevenção do suicídio durante o VI Seminário de Saúde Mental e Prevenção do Suicídio, realizado nesta quarta-feira (16), no Teatro Riachuelo.
A orientação apresentada no evento é que familiares, amigos e profissionais observem mudanças de comportamento e ofereçam escuta e apoio, além de incentivar a busca por atendimento especializado quando necessário. A prevenção, segundo os especialistas, deve incluir atenção contínua, e não apenas o atendimento depois de uma tentativa.
A Monja Coen, que participou do seminário, afirmou que o adoecimento mental deve ser compreendido de modo semelhante às doenças físicas. Ela ressaltou, porém, que seus sinais podem ser menos perceptíveis e precisam ser observados na própria pessoa e em quem está próximo.
Entre os indícios citados estão o isolamento, o silêncio e a perda de interesse por atividades do cotidiano. A pessoa pode se afastar, ficar mais quieta e deixar de encontrar sentido ou beleza na própria existência. Esses sinais, segundo a Monja, não devem ser minimizados nem tratados como algo passageiro.
Como oferecer apoio
A recomendação é que familiares e pessoas próximas estejam disponíveis para ouvir sem esconder ou diminuir o sofrimento. Reconhecer a dor e demonstrar disposição para acompanhar quem está em crise pode favorecer a procura por ajuda.
A Monja Coen também orientou que não sejam usadas frases destinadas apenas a convencer a pessoa de que tudo está bem. Para ela, é necessário reconhecer a situação e mostrar presença. “Não é fingimento, não é preguiça, é dor”, afirmou.
Ela também destacou que um sofrimento inicialmente pontual pode se prolongar e se tornar crônico. Nesse cenário, pedir ajuda deve ser compreendido como um ato de coragem, e não como fraqueza.
O coronel Diógenes Munhoz, do Corpo de Bombeiros Militar, desenvolveu o Protocolo Nacional de Abordagem Humanizada a Tentativas de Suicídio e defendeu que os profissionais evitem ações abruptas. A abordagem deve priorizar o acolhimento e ser conduzida de forma técnica e humanizada.
Segundo Munhoz, uma intervenção inadequada pode transformar o próprio profissional em fator de risco em uma eventual nova tentativa. Ele também alertou que promessas, tentativas de sedução e mentiras podem prejudicar a confiança necessária para estabelecer contato com alguém em crise. “Só a verdade vai criar vínculo e só o vínculo vai fazer com que aquela pessoa possa desistir de uma tentativa de suicídio”, disse.
Quem presencia uma tentativa deve acionar imediatamente os serviços de emergência e evitar conduzir sozinho uma situação de risco. Os números indicados pelo coronel são 193, 190 e 192.
Munhoz ainda ressaltou a importância do autoconhecimento e da atenção aos próprios sinais de sofrimento, inclusive quando eles não são expressos verbalmente. Reconhecer que algo não vai bem pode ajudar a identificar necessidades antes que elas se transformem em uma situação de maior risco.








