TENNESSEE — A execução de Christa Pike falhou depois que a condenada recebeu duas doses de pentobarbital. Ela permaneceu consciente durante parte do procedimento, reclamou de forte ardência nos braços e foi levada de ambulância a um hospital. O estado de saúde não foi informado.
A sessão começou às 19h27, depois de Christa ser transportada para a câmara de execução presa a uma maca. A segunda aplicação ocorreu por volta das 20h26, mas a mulher não morreu. Testemunhas ainda relataram roncos atrás das cortinas até o desligamento do microfone, às 20h53.
Relatos das testemunhas
Jornalistas que acompanharam a tentativa de execução disseram que Christa conversou com os responsáveis pelo procedimento. Tori Gessner, repórter da WKRN, relatou que a detenta reclamou da sensação nos braços: “Meu braço parece que vai explodir. Isso acontece assim?”
Gessner também afirmou que Christa alternava entre roncos e silêncio de forma inconsistente. A sessão terminou por volta das 20h05, mas os roncos continuaram sendo ouvidos. Mesmo após o microfone ser desligado, às 20h53, o som ainda era perceptível, segundo a repórter.
Catherine Sweeney, da WPLN, disse que a condenada levantou a cabeça e olhou ao redor em determinado momento. Damon Lawrence afirmou que Christa teve a oportunidade de fazer uma declaração final. Ela disse que deixaria o mundo com amor, declarou estar em paz e afirmou estar pronta para morrer.
Suspensão das execuções
O procedimento estava marcado para as 10h, mas foi suspenso por um tribunal uma hora antes. A decisão foi derrubada posteriormente pela Suprema Corte estadunidense.
Robin M. Maher, diretora-executiva do Death Penalty Information Center, classificou o caso como algo único e sem paralelo. De acordo com ela, sete condenados já haviam sobrevivido a execuções porque as equipes não conseguiram acessar uma veia para aplicar os medicamentos. Não havia, até então, registro de alguém que permanecesse vivo após receber as doses.
O governador do Tennessee, Bill Lee, determinou uma investigação independente e suspendeu as execuções no estado até o fim do ano.
Christa estava no corredor da morte desde 1995, quando foi condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos. Na época do crime, Christa tinha 18 anos. O caso envolveu um pentagrama gravado no corpo da vítima e outros elementos associados a cultos satânicos. Se a execução tivesse sido concluída, ela seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos.







