A percepção de que as redes sociais prejudicam a democracia aumentou em grande parte dos países analisados pelo Pew Research Center. O levantamento ouviu 45.658 pessoas em 37 países entre 8 de fevereiro e 13 de maio de 2026 e identificou crescimento significativo dessa avaliação na maioria das nações com dados históricos disponíveis, em comparação com 2022 ou 2023.
No Brasil, 29% dos entrevistados consideram as redes sociais prejudiciais ao sistema democrático. A maior parte da população, porém, avalia que as plataformas contribuem para a democracia ao ampliar o acesso à informação e o espaço de expressão dos cidadãos.
Avaliação varia conforme renda e idade
Apesar do aumento do ceticismo, a percepção global continua predominantemente favorável. Entre os 37 países, uma mediana de 55% avalia que as redes sociais tiveram impacto positivo sobre a democracia, enquanto 35% apontam efeito negativo.
A renda nacional aparece associada às avaliações. Austrália, Canadá, França, Alemanha, Holanda, Reino Unido e Estados Unidos são os sete países pesquisados em que metade ou mais da população considera as redes prejudiciais. Israel e Singapura são exceções entre as nações de alta renda, com proporções relativamente baixas nessa avaliação.
Em países com menor Produto Interno Bruto (PIB) per capita, a visão tende a ser menos negativa. Em Gana, Quênia, Nigéria, Filipinas e Tailândia, aproximadamente três em cada quatro pessoas, ou mais, dizem que as redes sociais beneficiam a democracia.
A idade também influencia as respostas. No Reino Unido, 60% dos adultos entre 18 e 34 anos consideram positiva a influência das redes, ante 31% dos entrevistados com 50 anos ou mais. Nos Estados Unidos, 44% das pessoas com menos de 35 anos têm avaliação favorável, contra 28% na faixa de 50 anos ou mais.
Informação, participação e divisão política
Uma média de 60% dos entrevistados nos 37 países afirma que a internet e as redes sociais aumentaram a capacidade de participação significativa na política. Além disso, 77% dizem que a tecnologia ajudou a população a se informar melhor sobre os acontecimentos atuais.
Os riscos também são amplamente reconhecidos. Uma média de 79% avalia que as redes facilitaram a manipulação por meio de informações falsas e boatos, enquanto 68% dizem que elas deixaram a população mais dividida politicamente. Essa percepção cresceu dois dígitos em países como Polônia, Alemanha, França, Japão, Espanha, Reino Unido, Hungria e Malásia.
Nos Estados Unidos, 64% dos adultos afirmam que as plataformas prejudicam a democracia. A avaliação permanece estável em relação a 2022. Ao todo, 81% dos entrevistados dizem que a internet e as redes sociais aumentaram a divisão política, proporção próxima dos 79% registrados em 2022. A percepção é compartilhada por 83% dos republicanos e independentes alinhados ao partido e por 82% dos democratas e simpatizantes do Partido Democrata.
O Facebook é a rede mais comum entre as cinco analisadas, seguido pelo Instagram. O TikTok tem uso mais forte entre os jovens, enquanto X, antigo Twitter, e Snapchat aparecem com parcelas menores de usuários. Em 29 dos 37 países, pelo menos um terço dos adultos atribui às redes os quatro efeitos avaliados: informar, dar voz, manipular e dividir a sociedade.
Uma pesquisa complementar sobre o uso das plataformas nos Estados Unidos ouviu 5.511 adultos entre 30 de janeiro e 18 de junho de 2026.








