Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Alex Flemming usa ruínas de monumentos para denunciar intolerância e destruição

Artista voltou ao Brasil após 34 anos em Berlim e prepara novo ateliê e livro sobre viagem pelo país

Alex Flemming usa ruínas de monumentos para denunciar intolerância e destruição
Foto: Isabella Finholdt/Estadão

Monumentos destruídos, cidades em ruínas e símbolos da arquitetura transformados em alertas contra o extremismo formam a série Apocalipse, de Alex Flemming. Iniciada em 2015, a coleção nasceu depois do ataque ao Bataclan, em Paris, e reúne pinturas que imaginam a destruição de referências da civilização sem apagar completamente sua presença.

Em agosto, 37 telas da série foram expostas em dois palacetes desativados havia mais de 80 anos na Rua Roberto Simonsen, no centro de São Paulo, ao lado da Sé. A mostra teve curadoria de Fábio Magalhães, não contou com patrocínio, assessoria de imprensa ou energia elétrica e ficou limitada às horas de luz natural. Em um domingo, 1.300 pessoas visitaram o espaço.

Arquitetura como alerta

Flemming afirmou que a série é uma resposta artística à violência contra a pluralidade cultural. Entre as imagens está a Catedral de Notre-Dame, representada de forma metafórica como se tivesse sido destruída. A mesma lógica aparece em uma pintura com a Sagrada Família, de Barcelona, cuja construção levou 144 anos e poderia ser arrasada em um instante por uma bomba lançada por um drone.

Para o artista, a destruição de edifícios em Beirute, Gaza, na Ucrânia e em Teerã mostra uma contemporaneidade sem empatia e tolerância. Ele também relacionou esse cenário à ascensão do partido alemão AfD, que classificou como motivo de preocupação por causa da xenofobia e do nacionalismo.

“Só a arte salva”, disse Flemming ao defender a ampliação do acesso à produção artística e ao diálogo. A frase também resume sua visão sobre a função das obras em espaços públicos.

Obras integradas à cidade

Duas de suas obras mais conhecidas estão em São Paulo. Na Estação Sumaré do metrô, inaugurada em 1998, Flemming instalou 44 painéis de vidro com rostos anônimos de brasileiros fotografados como em documentos. Os retratos foram cobertos por versos de poetas brasileiros, de José de Anchieta a Haroldo de Campos, com letras desencontradas que dificultam a leitura.

A fotografia foi fundida no vidro, e não aplicada como película. O artista contou que o desenvolvimento da técnica teve apoio da Santa Marina. O projeto levou dez anos para ser concluído e também recebeu suporte de patrocinadores alemães.

Em 2016, ele usou técnica semelhante na fachada da Biblioteca Mário de Andrade. As imagens mostram funcionários e frequentadores da instituição em grandes painéis de vidro duplo, produzidos em três cores.

Flemming disse que gostaria de realizar novos projetos desse tipo em edifícios públicos com grandes fachadas de vidro. Citou o Sesc e as prefeituras de Jaguariúna e Botucatu como possíveis parceiros e mencionou o interesse em fazer trabalhos em Palmas e Pelotas para retratar populações anônimas.

Retorno ao Brasil

Depois de morar 34 anos em Berlim, o artista decidiu voltar ao país aos 72 anos. Ele prepara um ateliê em uma antiga agência bancária no Largo do Arouche e organiza o lançamento do livro Do Rio Tacutu ao Chuí.

A obra reúne registros de uma viagem iniciada em 2022. Flemming saiu de Macapá, passou pelo Oiapoque, atravessou as três Guianas, entrou no Brasil pelo Rio Tacutu, em Roraima, e seguiu até o Chuí, quase todo o percurso de ônibus. A viagem foi dividida em cinco etapas porque ele ainda morava na Alemanha.

O artista disse que voltou para contribuir com a arte brasileira e acompanhar de perto o país. Também criticou o fechamento de museus em grande parte do território nacional, porque, segundo ele, a população precisa conhecer a própria história para desenvolver apreço pelo Brasil.

Urbanização e vida pública

Formado em arquitetura pela FAU-USP até 1976, Flemming criticou a ocupação desordenada de São Paulo. Para ele, o problema não está na construção de novos prédios, mas na ausência de um plano urbanístico aplicado de forma consistente.

O artista citou o adensamento de bairros que não teriam estrutura para suportar o aumento do fluxo de trânsito e mencionou áreas nas bordas do Jardim Europa, do Jardim América e do Alto de Pinheiros. Também afirmou que incorporadoras constroem edifícios em áreas próximas à trajetória do Aeroporto de Congonhas, recorrem à Justiça e conseguem liberar empreendimentos após o pagamento de multas.

Flemming nasceu em São Paulo, em agosto de 1954. Filho de um piloto de aviões e de uma aeromoça, passou parte da infância nos Estados Unidos e em Lisboa. Estudou arquitetura, recebeu uma bolsa Fulbright para permanecer em Nova York entre 1981 e 1983 e se mudou para Berlim em 1991. A experiência de viagens, segundo ele, influenciou sua formação e seu interesse por outras culturas.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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