SÃO PAULO — O novo edifício Pietro Maria Bardi, do Museu de Arte de São Paulo (Masp), recebe a exposição Histórias latino-americanas, com 187 obras de 148 artistas de 20 países. A mostra ocupa cinco andares e ficará aberta ao público até 31 de janeiro de 2027.
A exposição propõe uma leitura da América Latina a partir de diferentes períodos, linguagens e experiências. Entre os países representados estão Peru, Argentina, Chile, Colômbia, México, Porto Rico e Brasil. O projeto estabelece um diálogo contemporâneo com o prédio original do museu, concebido por Lina Bo Bardi.
Pesquisa e organização da mostra
Histórias latino-americanas integra o programa Histórias, criado pelo diretor artístico Adriano Pedrosa. A iniciativa já abordou temas como infância, sexualidade, questões afro-atlânticas, mulheres e feminismos, dança, Brasil, povos indígenas, diversidade LGBTQIA+ e ecologia.
A exposição foi desenvolvida ao longo de cerca de dois anos e meio. O primeiro seminário preparatório ocorreu em março de 2024, seguido por pesquisas, viagens, encontros, consultas a coleções e instituições e levantamento bibliográfico. A montagem também envolveu empréstimos internacionais, contratos, seguros, transporte e procedimentos alfandegários.
A curadoria é de Amanda Carneiro, com Julieta González como curadora-adjunta. A mostra foi dividida em cinco núcleos: O mundo ao revés, Retórica do progresso, Sociedades americanas, Estamos em salsa e A queda do céu.
As obras foram organizadas para permitir percursos diferentes. A sequência sugerida começa em O mundo ao revés e termina em A queda do céu, mas os visitantes podem estabelecer outras relações entre os núcleos. A proposta também evita uma divisão baseada apenas em países, cronologia ou linguagem artística.
Artistas, empréstimos e comissões
Entre os nomes presentes estão Cecilia Vicuña, Sandra Gamarra Heshiki, Marcia X, Juan O’Gorman, Xul Solar, Diego Rivera, Tina Modotti, Firelei Báez, Daniel Lind-Ramos, Oscar Murillo, Belkis Ayón, Antonio Caro, Damián Ortega, Teresa Margolles, Pepón Osorio, Germán Venegas, Wifredo Lam e Guadalupe Maravilla.
A reunião das obras dependeu da colaboração de museus e coleções de diferentes países. Há trabalhos cedidos pelo MALBA, pelo Museo de Arte Moderno da Cidade do México, pelo Museu de Belas Artes de Houston, pelo Museu Nacional de Arte do México, pelo Museu de Arte Moderna de Bogotá, pelo Museu Universitário de Arte Contemporânea da Cidade do México, pela Coleção Jumex, pelo Museu del Barrio de Nova York e pelo Museu Amparo.
Sete obras foram comissionadas especialmente para a exposição. Os trabalhos são de Marcela Cantuária, Marcelo Cidade, Podeserdesligado, pseudônimo de Guilherme Ferreira, do coletivo JAMAC — Jardim Miriam Arte Clube, além de Mariana Castillo Deball, Manuel Chavajay e Maurício Lupini.
A mostra também apresenta artistas pela primeira vez no Brasil, como Maripaz Jaramillo, Fermín Revueltas e a Asociación de Artistas Populares de Sarhua. Diego Rivera e Juan O’Gorman aparecem com obras ainda inéditas no país.
A seleção percorre séculos. River Claure, nascido na Bolívia em 1997, é o artista mais jovem. Olga de Amaral, nascida na Colômbia em 1932, é a artista com mais décadas de trajetória entre os participantes. Também estão presentes Théodore de Bry, nascido em 1528, objetos pré-coloniais e trabalhos de autoria desconhecida.
Obras e relação com o público
A exposição reúne instalações, pinturas, documentos, mapas, esculturas, fotografias, têxteis e vídeos. O venezuelano Mauricio Lupini apresenta uma reconstrução do Penetrável, de Jesús Rafael Soto, relacionada à obra do arquiteto venezuelano C.R. Villanueva. O trabalho foi concebido para estimular a participação do espectador.
Daniel Lind-Ramos, de Porto Rico, também participa da mostra. Sua produção busca relacionar histórias, culturas e espiritualidades compartilhadas na região.
As referências conceituais incluem o livro Tempo espiralar, da brasileira Leda Maria Martins, e O jogo da amarelinha, do argentino Julio Cortázar. A curadoria afirma que a exposição não pretende encerrar a discussão sobre a América Latina nem apresentar uma narrativa total sobre o continente. O objetivo é ampliar a percepção sobre suas imagens, temporalidades, disputas e formas de construção.
Serviço
Histórias latino-americanas pode ser visitada de terça a domingo, com horários específicos para cada dia da semana. A exposição fica no Masp, na Avenida Paulista, 1578, Bela Vista. A entrada custa R$ 42 ou R$ 85.
Período: 4/9 a 31/1.








