A emergência climática não aparece nas agendas dos candidatos à Presidência da República, apesar dos danos potenciais associados ao avanço de eventos extremos. O Brasil também não conta com uma política minimamente desenvolvida para prevenir ocorrências, reduzir impactos e transferir perdas.
As enchentes registradas no Rio Grande do Sul, no sul do Estado de São Paulo e em áreas da Capital são relacionadas à atuação do Super El Niño. O fenômeno já chegou, e os prejuízos devem aumentar ao longo dos próximos meses, especialmente depois do início do verão. Os acontecimentos registrados até agora são descritos como uma parcela pequena diante do que ainda pode ocorrer.
Ocupação de áreas de risco
Embora não seja possível impedir grandes desastres ou combater tornados, medidas de prevenção poderiam reduzir parte dos danos provocados por enchentes e deslizamentos após chuvas intensas. Entre elas está evitar a ocupação de áreas sujeitas a risco e retirar moradores de encostas.
A falta dessas ações pode atingir vidas, famílias, patrimônios e a capacidade de recuperação das áreas afetadas. Os eventos não devem alcançar todos os pontos considerados vulneráveis, mas os moradores atingidos estão sem proteção e não existe uma política para transferir prejuízos ao mercado segurador.
A situação também envolve os bairros cota localizados nas encostas da Serra do Mar e a ocupação da base da serra. Moradores de áreas de risco ao longo das encostas de morros no litoral paulista também não foram realocados.
Risco de falta de água
Outro alerta envolve o abastecimento da Grande São Paulo. A população pode ficar sem água potável em um prazo mais curto do que o imaginado, diante dos índices de poluição da represa de Guarapiranga.
Centenas de milhares de pessoas dependem do reservatório. Testes apontam a presença de cocaína, pílula anticoncepcional, antibióticos e coliformes fecais em níveis acima do tolerável. A represa Billings não seria uma alternativa neste momento, porque está ainda mais poluída.
As ameaças à população são consideradas sérias, mas estariam sendo escondidas ou desprezadas. Além disso, nem todos os riscos podem ser cobertos por seguros.








