A dívida pública mundial chegou a US$ 365 trilhões, o equivalente a 310% do PIB do planeta. O alerta foi feito, na semana passada, pelo Fundo Monetário Internacional, pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pelo Instituto de Finanças Internacionais (IIF), em ocasiões diferentes.
A pressão também aparece nas principais economias avançadas. Estados Unidos, Japão, Reino Unido e França convivem com déficits orçamentários elevados e aumento do endividamento. Taxas de juros mais altas, usadas para conter a inflação, aumentam o custo de manutenção dessas dívidas.
Entre os fatores citados para a inflação estão o encarecimento do petróleo provocado pela guerra de EUA e Israel contra o Irã e a elevação dos gastos fiscais. O resultado é uma conta maior para os governos, em um cenário de preocupação com os riscos fiscais.
Pressão nos títulos americanos
A dívida dos Estados Unidos soma US$ 40 trilhões, correspondente a 129% do PIB do país. Na semana passada, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, anunciou uma nova recompra de títulos de 30 anos para tentar conter a alta dos juros desses papéis, que estão acima de 5%.
Os títulos de 30 anos de seis dos sete países do G-7 atingiram os maiores níveis em 15 anos. Nos Estados Unidos, a última vez que as taxas estiveram tão elevadas foi em 2007, um ano antes da maior crise financeira da história recente. A alta dos rendimentos indica o nível de apreensão no mercado.
O caso brasileiro
No Brasil, a dívida pública equivale a 82,5% do PIB. Embora diversos países, inclusive ricos, tenham uma relação entre dívida e PIB superior, isso não coloca o país em uma situação melhor.
O percentual é considerado alto para uma economia emergente. O custo de financiamento tende a ser maior para o Brasil, por isso a proximidade com os níveis observados em países ricos não representa uma vantagem.
O avanço global das dívidas começou com a expansão dos gastos públicos adotada para conter os efeitos da pandemia, entre 2020 e 2022. O volume caiu depois, mas voltou a crescer recentemente. Reduzir despesas após ampliar os gastos continua sendo um desafio para os governos.








