O custo para financiar a dívida pública aumentou nos países mais ricos, depois de anos de juros próximos de zero. Os governos continuaram gastando e acumulando compromissos mesmo com a mudança no cenário financeiro, marcada por inflação, guerras, energia mais cara, protecionismo e tensões comerciais.
Entre 2015 e 2021, o rendimento real mediano dos títulos de dez anos dos países da OCDE ficou perto de zero. No fim de 2025, esse indicador estava em aproximadamente 1,5%.
Nesta semana, o rendimento do Treasury americano de dez anos passou de 5%, o maior nível desde 2007. A média dos títulos de dez anos dos países do G-7 chegou a 4,285%, no maior patamar desde 2008.
Também houve alta nos principais mercados. O Bund, título do Tesouro alemão, atingiu 3,55%, o nível mais elevado desde 2009. No Japão, o rendimento superou 3%, enquanto o título britânico alcançou 5,45%, maior marca desde 2007.
Dívida alta e custo maior
O aumento dos juros ocorre enquanto déficits persistentes continuam exigindo grandes volumes de novas emissões. A combinação deixa os governos diante de uma dívida elevada e de um custo maior para mantê-la.
O cenário ficou mais difícil de precificar após a inflação pós-pandemia, as guerras, os choques de energia, a fragmentação geoeconômica, o protecionismo e as tensões comerciais. O petróleo em alta e o conflito no Oriente Médio também pressionam a inflação e o custo do dinheiro.
O Brasil aparece em situação distinta. A dívida é menor do que a de outros países, mas o custo de carregamento no longo prazo fica perto de 14%. A avaliação, portanto, não depende apenas do tamanho do endividamento, mas também dos juros pagos para financiá-lo.
Enquanto os países ricos passaram a pagar 4%, 5% ou pouco mais ao ano para financiar dívidas elevadas, o Brasil convive com juros maiores. O ajuste das contas também encontra um orçamento com grande parte dos recursos já comprometida. A crise do STF acrescenta turbulência ao quadro fiscal descrito.








