O Corinthians ainda não tem uma previsão definida para quitar a dívida que mantém o clube impedido de registrar novos jogadores. Marcelo Paz, executivo de futebol, afirmou que a prioridade interna é regularizar os salários, mas disse esperar que a restrição seja resolvida porque o clube precisa voltar a contratar.
A punição voltou a afetar o Corinthians na janela do meio do ano. Além do bloqueio relacionado à contratação de José Martínez, a CBF impediu o registro de atletas por seis meses devido ao atraso no pagamento da quinta parcela de um acordo firmado na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD).
Dívida de Martínez e novas sanções
José Martínez foi contratado em setembro de 2024 por 1,7 milhão de dólares, em negociação com o Philadelphia Union, dos Estados Unidos. Apenas parte do valor foi paga. Em setembro de 2025, o Corinthians foi condenado pela Fifa a quitar 1,425 milhão de dólares, cerca de R$ 7,3 milhões na cotação atual, e recorreu à Corte Arbitral do Esporte (CAS). O pagamento ainda não foi realizado.
A decisão previa juros de 15% ao ano antes da aplicação do transfer ban. O clube também pode sofrer outra sanção: a CAS determinou o pagamento de mais de R$ 6 milhões ao Midtjylland pelo descumprimento do acordo referente à contratação do volante Charles, concluída no segundo semestre de 2024, durante a gestão de Augusto Melo.
Paz explicou que o Corinthians conseguiu deixar o bloqueio para trás em janeiro e fez sete contratações sem custos de transferência. Os acordos foram mais curtos, dentro da política de reorganização financeira. A restrição voltou a impedir novos movimentos no meio do ano.
Efeito no elenco
O executivo afirmou que o Corinthians foi o único clube da janela que não contratou. Para ele, a limitação financeira passou a afetar diretamente o trabalho da comissão técnica, sobretudo após baixas no setor ofensivo.
Zakaria Labyad ficou fora do segundo semestre, enquanto Yuri Alberto sofreu uma lesão no músculo posterior da coxa e permaneceu afastado por mais de dois meses. Paz também citou as perdas de Kayke e Vitinho. “A questão financeira entra dentro de campo”, disse o dirigente.
Na avaliação de Paz, a diferença de investimento ajuda a explicar o desempenho dos clubes brasileiros na Libertadores. Fluminense e Palmeiras chegaram à semifinal, enquanto o Flamengo avançou sobre o Independiente del Valle, do Equador. O dirigente relacionou os resultados ao volume gasto em contratações e folhas salariais.
Pagamentos e reorganização
Paz afirmou que os salários pagos pela CLT estão regularizados, após um atraso de uma semana. Ainda existem pendências em direitos de imagem e premiações. O executivo disse que o clube pagou mais de R$ 200 milhões em dívidas neste ano e que a redução de gastos faz parte da tentativa de conter o endividamento.
O dirigente defendeu equilíbrio entre as gestões, organização financeira e busca por parceiros. Também afirmou que contratos longos e salários elevados deixaram de ser adotados como forma de reduzir a pressão sobre as contas.
“É um caminho longo, uma dívida alta, situações que abalam a credibilidade do clube”, declarou Paz. Ele avaliou que o processo pode permitir a retomada da capacidade de investimento no futuro, mas reconheceu a dificuldade de manter desempenho esportivo elevado durante a reestruturação.









