Osmar Stabile assumiu a presidência do Corinthians em 26 de maio de 2025, inicialmente como interino, depois que o Conselho Deliberativo aprovou o impeachment de Augusto Melo por 176 votos a 57, com um voto nulo. Em agosto daquele ano, após a confirmação da saída de Melo pelos associados, Stabile passou a conduzir o mandato iniciado em 2024 até o fim. As eleições do clube estão previstas para 28 de novembro de 2026.
A transição começou sob tensão. Cinco dias depois da posse interina, Augusto Melo apareceu no Parque São Jorge acompanhado de aliados após uma decisão de Maria Angela de Sousa Ocampos, então primeira-secretária do Conselho Deliberativo. Ela havia declarado nulos atos de Romeu Tuma Júnior e, com isso, questionado o impeachment. A situação provocou a presença de torcedores organizados e policiais na sede. Stabile ficou na sala da presidência e declarou que só deixaria o cargo se o Conselho Deliberativo determinasse a mudança.
Mudanças administrativas e conflitos internos
Nos primeiros dias da gestão, oito diretores estatutários foram afastados. Até 07 de junho de 2025, o total de saídas chegou a 13, incluindo profissionais das áreas de comunicação, novos negócios e futebol de base. Emerson Piovesan assumiu a diretoria financeira, Roberto Gavioli ficou responsável pela controladoria e Rozallah Santoro passou a atuar como consultor.
Gavioli foi posteriormente denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) na investigação sobre o uso do cartão corporativo do clube e acabou afastado pela presidência. A relação de Stabile com Romeu Tuma Júnior também se desgastou. Tuma chegou a ser alvo de um processo interno e foi “destituído” em uma votação que não foi regulada pela Justiça.
Outro caso levado ao MP-SP envolveu a Bear Security, contratada em julho de 2025 para fazer a segurança de Stabile e de seus familiares. A empresa recebeu cerca de R$ 587 mil do Corinthians por meio de 12 notas fiscais e tinha o clube como único cliente. Segundo o Ministério Público, a companhia não possuía autorização da Polícia Federal para atuar na segurança privada.
A investigação foi conduzida em 2026 pelo promotor Cássio Roberto Conserino. O procedimento também analisou a Mega Assessoria Operacional Ltda., que prestou serviços entre setembro e outubro de 2025 sem autorização da Polícia Federal e, segundo o MP, sem contrato formal com o clube. Fernando José da Silva, conhecido como Nandão, afirmou em depoimento que abriu a empresa a pedido do então diretor administrativo Fábio Soares para viabilizar o pagamento dos profissionais.
Stabile apresentou defesa por escrito em agosto de 2026, depois de não comparecer a outras oitivas agendadas. Ele acabou denunciado pelo MP à Justiça Comum pelo crime de apropriação indébita.
Negociações e permanência de Memphis
No futebol, o presidente participou de decisões sobre contratações e transferências. Alisson visitou o CT Joaquim Grava quando o empréstimo junto ao São Paulo estava praticamente acertado, mas a operação foi barrada depois que a diretoria financeira apontou custos não previstos no orçamento. O clube tinha cerca de R$ 1 milhão para viabilizar o negócio.
João Ricardo viajou a São Paulo para exames médicos após acordo encaminhado com o Fortaleza, mas foi reprovado pelo departamento médico do Corinthians. Já André Luiz permaneceu no elenco apesar de uma proposta do Milan que poderia chegar a 17 milhões de euros, cerca de R$ 104 milhões na cotação da época.
A renovação de Memphis Depay foi outro episódio de mudança de rota. O contrato havia terminado em 31 de julho, e Stabile inicialmente decidiu não estendê-lo por causa da situação financeira. Uma publicação do Corinthians sobre a saída ultrapassou 160 mil comentários em pouco mais de 24 horas. Houve protestos, vazamento de dados pessoais e manifestações de patrocinadores.
As conversas foram retomadas com previsão de um acordo de duas temporadas, redução salarial, mudanças nos benefícios e negociação de dívidas. A Fatal Fans sinalizou a possibilidade de um aditivo de até R$ 10 milhões. O Conselho de Orientação aprovou a renovação após empate em seis votos a favor e seis contra, decidido por Miguel Marques e Silva. O novo contrato foi oficializado em 18 de agosto de 2026 e passou a valer até 31 de julho de 2028.
Restrições para contratar
As dívidas também resultaram em transfer bans. Em fevereiro de 2025, a Fifa condenou o Corinthians a pagar cerca de US$ 6 milhões ao Santos Laguna pela contratação de Félix Torres. O acordo era de US$ 6,5 milhões, mas apenas US$ 2 milhões haviam sido pagos. A condenação considerou US$ 4,5 milhões restantes, juros de 18% ao ano, multas e custos do processo.
Em junho de 2025, a Fifa determinou o pagamento de 1 milhão de euros ao Shakhtar Donetsk pelo caso Maycon. Com juros, multas e despesas, o valor chegava a aproximadamente R$ 7 milhões. Também foram citadas dívidas de aproximadamente R$ 41,3 milhões com Matías Rojas, R$ 23,35 milhões com o Talleres por Rodrigo Garro, R$ 8 milhões com o Philadelphia Union por José Martínez e R$ 6,25 milhões com o Midtjylland por Charles. As seis condenações somavam R$ 125,66 milhões em outubro de 2025.
Em maio de 2026, uma dívida de US$ 1,5 milhão com o Philadelphia Union gerou punição de três janelas de transferências. Em julho, outra sanção envolveu multa de US$ 225 mil, aproximadamente R$ 1,15 milhão, por atrasos ligados a José Martínez, Charles e Talles Magno. Após o pagamento dessa multa, de cerca de R$ 1,1 milhão, o Corinthians conseguiu derrubar uma das punições em julho de 2026, mas permaneceu com outras restrições.









