Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Economia

Dívida americana reduz espaço para investimentos e pressiona juros de longo prazo

A parcela da receita dos EUA destinada aos juros bateu recorde, enquanto empresas de tecnologia ampliam a busca por financiamento no mercado de títulos.

Dívida americana reduz espaço para investimentos e pressiona juros de longo prazo
Foto: Tierney L. Cross/NYT

A dívida pública dos Estados Unidos chegou a US$ 40 trilhões, e o custo para mantê-la comprometeu uma parcela recorde da arrecadação. Em 2025, o pagamento líquido de juros correspondeu a 18,5% da receita do governo, acima do pico de 18,4% registrado em 1991, conforme análise da gestora Doubleline.

O desembolso alcançou US$ 1,25 trilhão, valor superior ao orçamento de defesa de 2026. Com uma fatia maior dos recursos direcionada aos juros, o governo perde margem para aplicar dinheiro em infraestrutura, educação e outras áreas associadas ao crescimento. A necessidade de cobrir os encargos também pode levar à contratação de novas dívidas.

Projeção de aumento

Dados da The Kobeissi Letter, com base em informações do Escritório de Orçamento do Congresso, mostram que as despesas com juros, como proporção da receita, triplicaram desde 2015. A projeção é de que essa participação chegue a 25% até 2036.

“A crise da dívida dos EUA está em território desconhecido”, escreveu a Kobeissi Letter. A avaliação considera que as estimativas não incluem uma desaceleração significativa, uma recessão ou um aumento significativo nos rendimentos dos títulos do Tesouro.

A Doubleline afirmou que a comparação com 1991 tem limites. Naquele período, a economia se recuperava de uma recessão e dos choques do petróleo ligados à Guerra do Golfo. A demanda elevada por títulos levou os rendimentos dos papéis do Tesouro de 30 anos para cerca de 8%, abaixo dos mais de 10% observados nas décadas anteriores.

Na avaliação da gestora, o governo conseguia suportar juros de 8% quando o endividamento era menor. O cenário atual é diferente porque a dívida atingiu um volume mais elevado.

Tecnologia disputa recursos

A pressão aumentou com a entrada de grandes empresas de tecnologia, especialmente as hiperescaladoras, no mercado de dívida. Gigantes da inteligência artificial emitiram US$ 225 bilhões em títulos no primeiro semestre de 2026. Parte dos investimentos pode agravar a dívida nacional porque esses gastos de capital são dedutíveis do imposto de renda.

As companhias também passaram a buscar títulos com vencimentos de 10 a 30 anos para financiar a expansão da inteligência artificial. Esse movimento aumenta a disputa por capital e pressiona o governo americano a oferecer rendimentos maiores para manter a demanda pelos títulos do Tesouro.

“O capital que flui para os títulos corporativos é capital que não flui para os títulos do Tesouro”, escreveu o economista Ed Yardeni. Para ele, a revolução da inteligência artificial está elevando os rendimentos dos títulos do Tesouro por meio de um efeito de deslocamento.

Para estabilizar o mercado, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, dobrou o volume das recompras de títulos de 10 a 30 anos, de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação. Analistas da Doubleline disseram que a medida aproximou a gestão de caixa do controle de mercado e reforçou a importância dos títulos de longo prazo no atual cenário de financiamento dos déficits.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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