As propostas dos dois principais candidatos à Presidência apresentam medidas conflitantes para as contas públicas e não detalham como seria um ajuste fiscal. O programa de Flávio Bolsonaro prevê redução da dívida pública, um “tesouraço nos gastos públicos” e uma reformulação das regras fiscais. Ao mesmo tempo, promete menos impostos sobre o consumo das famílias, redução da conta de luz e do custo do transporte, além de redução do IVA, ampliação do seguro rural e apoio à produção de fertilizantes.
A reformulação das regras fiscais aparece na página 71 do documento. As demais propostas estão distribuídas pelas páginas 11, 12, 29, 31, 32 e 33. O conjunto é descrito como um texto sem conexão clara entre as promessas e com repetição da expressão “e vamos” 23 vezes.
No programa do candidato do PT, a necessidade de reorganizar as contas públicas é mencionada na página 10. O documento afirma que, entre 2023 e 2026, houve um esforço fiscal de aproximadamente R$ 240 bilhões. A expressão “continuaremos” aparece 36 vezes, enquanto “Lula” é citada 31 vezes e “Ainda mais”, 33 vezes.
A pesquisa mais recente da Quaest indica que a economia foi apontada como principal preocupação por 19% dos entrevistados. O tema ficou atrás da violência, com 31%, e da corrupção, com 22%. A avaliação apresentada é que os programas acompanham as prioridades do eleitorado ao tratar pouco da urgência de um ajuste fiscal.
Também é citada uma declaração de Lula feita na semana passada: “é preciso parar com essa babaquice de fazer superávit”. A análise sustenta que os candidatos não demonstram disposição para um ajuste amplo e que o espaço político para essa medida seria limitado. Como alternativa, prevê pequenas mudanças adiadas ao longo do tempo, sem detalhamento de uma solução para o desequilíbrio das contas públicas.








