O reajuste de 15% no Bolsa-Família anunciado pelo governo deverá elevar as despesas públicas em cerca de R$ 6 bilhões em 2026 e em R$ 23 bilhões em 2027. A medida foi divulgada depois do envio ao Congresso do projeto de lei orçamentária para 2027, que não previa o aumento.
A decisão foi apresentada como um contraponto à avaliação do ministro da Fazenda, que afirmou haver “preconceito fiscal” do mercado financeiro contra o governo e defendeu o histórico das contas públicas. O desempenho fiscal, porém, é contestado pelos números da Secretaria do Tesouro.
Entre 2022 e os 12 meses até julho de 2026, a arrecadação federal cresceu R$ 362 bilhões a preços de hoje, ou R$ 299 bilhões depois das transferências a Estados e municípios. No mesmo período, o resultado fiscal piorou em R$ 130 bilhões. A despesa federal avançou R$ 429 bilhões, alta 20% acima da inflação.
Promessa de melhora
Na mesma entrevista, Durigan afirmou que mudanças nos programas sociais poderiam aumentar a eficiência e melhorar, em 2027, o compromisso do governo com o superávit. A promessa foi seguida pelo anúncio do reajuste do benefício, cujo impacto maior está projetado para 2027.
A avaliação apresentada é que o principal problema não seria apenas a discussão sobre a legalidade da medida às vésperas da eleição, mas o aumento permanente dos gastos em R$ 23 bilhões em um período de conveniência eleitoral. A comparação feita é com a chamada “PEC Kamikaze”, aprovada no final do governo Bolsonaro.
O texto também relaciona decisões de política econômica a efeitos eleitorais e afirma que a percepção do mercado sobre o governo Lula não seria resultado de preconceito. Como referência, cita junho de 2022, quando a PEC Kamikaze avançava em meio à deterioração do cenário externo: o dólar subiu cerca de 10%, a Bolsa caiu 11,5% e os juros futuros avançaram.








