BRASÍLIA — Os gastos da União devem alcançar 19,55% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, o maior nível desde 2020, quando as despesas chegaram a 25,59% do PIB. A projeção consta do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do quarto bimestre, apresentado pelo governo nesta quinta-feira, 24.
A estimativa de despesas aumentou R$ 22,1 bilhões nos últimos dois meses. Entre os principais fatores estão os créditos extraordinários destinados a acomodar subvenções para combustíveis e o reajuste de 15% do Bolsa Família, decretado duas semanas antes das eleições. O benefício terá impacto de R$ 5,8 bilhões em 2026.
A equipe econômica também incluiu na conta uma previsão de R$ 5 bilhões em subvenções ao diesel que ainda não foram implementadas. Com isso, a estimativa é de que as despesas continuem aumentando.
Déficit maior
O governo elevou de R$ 52 bilhões para R$ 80,9 bilhões a projeção de déficit efetivo das contas públicas em 2026. A piora resulta da combinação entre o aumento de gastos e a redução da expectativa de arrecadação.
A frustração na cobrança de Imposto de Renda sobre lucros e dividendos contribuiu para a revisão das receitas. Também pesaram os subsídios destinados a conter o preço dos combustíveis e o reajuste do Bolsa Família.
O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que o aumento das despesas em relação ao PIB será temporário. Segundo ele, a alta decorre da combinação entre gastos extraordinários e uma projeção menor para o PIB, sem repetição esperada em 2027. “Isso não é uma tendência”, declarou o ministro.








