A reunião entre Donald Trump e Xi Jinping terminou sem ruptura nas relações entre Estados Unidos e China, mas também sem solução para as principais disputas entre as duas potências. O resultado foi a manutenção da trégua tarifária até 10 de janeiro, depois que o prazo anterior, que venceria em novembro, foi prorrogado.
A duração limitada mantém a pressão sobre compromissos chineses ainda não cumpridos. A China caminha para concluir a compra de 25 milhões de toneladas de soja americana acertada em Busan, em outubro. Porém, permanece atrasada na aquisição de US$ 17 bilhões anuais em outros produtos agrícolas prometidos em maio. A compra inicial de 200 aviões da Boeing também não foi concretizada.
Soja, carne e aviões têm impacto político para Trump porque geram renda e empregos em Estados decisivos nas eleições de novembro. O presidente americano precisa apresentar resultados associados à trégua comercial.
Minerais e tecnologia no centro da disputa
Os Estados Unidos controlam os chips mais sofisticados e restringem o acesso chinês a esses componentes. A China, por sua vez, avança na criação de uma cadeia própria de semicondutores. Na área de minerais críticos, a dependência americana é maior: Pequim controla cerca de 70% da mineração e mais de 85% do refino de terras-raras.
Esses minerais são usados na fabricação de chips, radares, mísseis e em parte da tecnologia civil e militar. A questão ganha peso com a redução dos estoques americanos de munições pelo uso na Ucrânia, em Israel e no Golfo Pérsico.
Trump afirmou, ao receber Xi, que busca uma relação comercial “mais equilibrada”. O encontro também ocorreu em meio a registros alfandegários que apontaram cerca de 1.300 remessas chinesas de componentes de uso dual ao Ministério da Defesa iraniano no primeiro semestre. Assessores presidenciais recomendaram que Trump pressionasse Xi a abandonar a ajuda ao Irã, mas o presidente disse que preservar a relação com o líder chinês era prioridade central.
Xi voltou a pressionar Trump pela redução do apoio militar americano a Taiwan. Um pacote de até US$ 14 bilhões em armas continua adiado. Na regulação da inteligência artificial, os dois países permanecem sem avanço, mais preocupados em perder a competição entre si do que com os riscos da tecnologia para a humanidade.








