A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), representada pela assessora Daniella Marques, apresentou propostas para as contas públicas que, segundo a análise apresentada, não formam um plano estruturado para conter o endividamento do governo brasileiro.
Em entrevista, Marques defendeu o corte de dez ministérios, a criação de um conselho fiscal para acompanhar os Três Poderes e a adoção de um teto da dívida. Também mencionou medidas como o combate a privilégios e penduricalhos, um choque de gestão nas estatais, a racionalização das compras governamentais e um pacto com o Congresso para controlar despesas.
A avaliação é que essas iniciativas não alteram os mecanismos que mantêm o crescimento dos gastos. Entre os pontos não tratados estão as indexações do salário mínimo e dos pisos de saúde e educação. A privatização de empresas estatais como Caixa, Banco do Brasil e Petrobras também não foi apresentada como parte da estratégia.
Impostos e arrecadação
Outra orientação atribuída a Flávio Bolsonaro é a realização de um “revogaço” dos impostos criados ou elevados durante a gestão de Haddad. A proposta é questionada porque o governo tem déficit primário e, nesse cenário, a renúncia de receitas poderia ampliar o desequilíbrio.
A recomposição da arrecadação para o patamar de 19% do PIB é apontada como uma das medidas da atual administração que produziram resultado. A análise considera incompatível reduzir receitas sem enfrentar as regras que deixam parte das despesas em crescimento automático.
A reforma tributária também está alterando a estrutura dos tributos. O modelo prevê a eliminação de cinco impostos — Pis/Cofins, IPI, ICMS e ISS — para substituí-los por dois, com base no valor agregado. A mudança levou 30 anos de discussões até ser aprovada pelo Congresso.
A avaliação final é que o governo Lula não realizou o ajuste fiscal necessário e emitiu sinais negativos nessa área, mas a campanha de Flávio Bolsonaro também não apresentou uma medida capaz de reequilibrar, de forma estruturada, as contas públicas.








