Londrina, Quarta-feira, 7 de outubro de 2026
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Economia

Previsibilidade é o desafio para ampliar o mercado de capitais brasileiro

A agenda da Abrasca para 2027 a 2030 defende estabilidade fiscal, segurança jurídica e regras duradouras para estimular investimentos.

Previsibilidade é o desafio para ampliar o mercado de capitais brasileiro

O mercado de capitais brasileiro registrou R$ 963 bilhões em ofertas públicas em 2025, mas não teve nenhuma abertura de capital no período. O resultado expõe uma diferença entre a disponibilidade de recursos para prazos mais curtos e a previsibilidade necessária para investimentos de dez ou quinze anos.

Do total captado, R$ 493 bilhões foram obtidos por meio de debêntures, que financiaram empresas de 26 setores da economia. O jejum de novas empresas na Bolsa durava quase cinco anos e foi interrompido apenas em maio deste ano.

A avaliação apresentada por Cátilo Cândido, presidente-executivo da Abrasca, é que o problema não está na falta de liquidez. Para ele, o país não tem conseguido acumular previsibilidade porque as regras são alteradas a cada mandato. O investimento brasileiro ficou abaixo de 17% do PIB em 2025, enquanto o crescimento da dívida pública mantém elevados os prêmios de risco e os juros de longo prazo.

A taxa Selic, conforme a análise, está ligada à política monetária e ao ciclo econômico. Já o custo de financiamentos com prazo mais longo depende das expectativas sobre a trajetória fiscal do país. Quando o dinheiro fica caro pelo período necessário à maturação, projetos economicamente viáveis deixam de ser executados.

O valor de mercado das companhias brasileiras equivale hoje a cerca de 30% do PIB, abaixo do observado em pares internacionais. Em 2024, as 270 maiores companhias abertas do país responderam por 17,9% do PIB, empregaram diretamente 2,8 milhões de trabalhadores e pagaram cerca de R$ 640 bilhões em tributos.

Agenda para 2027 a 2030

A Abrasca apresentou às equipes econômicas de todas as campanhas presidenciais uma agenda com cinco eixos para o período de 2027 a 2030. As propostas defendem que o mercado de capitais seja tratado como política de Estado, com diretrizes que atravessem mandatos, além de simplificação tributária com neutralidade econômica.

A carga tributária bruta do governo geral chegou a 32,4% do PIB em 2025, cerca de 12 pontos percentuais acima da média dos países da América Latina. A entidade sustenta que mudanças com impacto sobre empresas, investimentos ou instrumentos de financiamento devem ser precedidas por avaliações de seus efeitos.

Os demais eixos envolvem segurança jurídica, concorrência leal, responsabilidade fiscal e qualidade regulatória. A agenda também propõe o fortalecimento institucional da Comissão de Valores Mobiliários, com autonomia técnica, orçamento compatível e capacidade de modernização tecnológica.

A proposta afirma que regras estáveis, transições bem desenhadas e clareza sobre as contas públicas são mais relevantes para os investidores do que incentivos pontuais. A questão apresentada aos candidatos é por quanto tempo o país estará disposto a manter uma regra em vigor.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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