Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Grandes gestoras perdem mais de R$ 200 bilhões em patrimônio em cinco anos

Verde, Truxt, AdamCapital, Bahia Asset, Gávea e Absoluto recuaram no ranking após fortes perdas de patrimônio em fundos.

Grandes gestoras perdem mais de R$ 200 bilhões em patrimônio em cinco anos

Apenas 90 das 1.075 gestoras analisadas perderam 50% ou mais do patrimônio nos últimos cinco anos. Embora representem 8,37% do total, várias estavam entre as 50 maiores do país em 2021. Considerando somente as 25 maiores, a redução acumulada ultrapassou R$ 200 bilhões.

A Verde Asset, de Luís Stuhlberger, tinha R$ 59,3 bilhões em julho de 2021 e passou a administrar R$ 12,7 bilhões em julho de 2026. A queda foi de R$ 47 bilhões, e a gestora saiu da 13º posição para a 84º.

Na Truxt, o patrimônio recuou de R$ 21,2 bilhões para R$ 2,6 bilhões. A redução de 87,9%, equivalente a R$ 19 bilhões, levou a casa da 38º posição para a 245º.

A AdamCapital, do gestor Márcio Appel, caiu de R$ 17,4 bilhões para R$ 2,9 bilhões. O patrimônio diminuiu 83,5%, ou R$ 14,8 bilhões, e a gestora passou do 42º lugar para o 224º.

Outras gestoras entre as maiores

A Bahia Asset registrou redução de 67,8%, com o patrimônio baixando de R$ 15,8 bilhões para R$ 5,1 bilhões. A perda correspondeu a R$ 11,5 bilhões, e a posição no ranking passou da 47º para a 160º.

Na Gávea, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, o patrimônio recuou de R$ 14,7 bilhões para R$ 4,9 bilhões. A queda de 67% equivaleu a R$ 10,9 bilhões. A gestora deixou a 49º posição e foi para o 166º lugar. A casa anunciou a venda de sua gestão de fundos para a Bradesco Asset.

A Absoluto perdeu R$ 9,6 bilhões, com o patrimônio passando de R$ 14,4 bilhões para R$ 3,8 bilhões. A gestora caiu da 50º posição no ranking para a 184º.

A maior parte dessas casas concentra sua atuação em fundos multimercados e de ações, classes que enfrentaram condições desfavoráveis nos últimos anos. A redução do patrimônio, porém, não indica necessariamente crise ou perda de clientes na mesma proporção.

Ranking não inclui todas as atividades

O levantamento da Anbima não considera algumas operações que podem ter crescido no período, entre elas carteiras administradas, administração fiduciária e fundos no exterior. Por isso, o patrimônio dos fundos brasileiros não representa necessariamente o tamanho total de cada gestora.

A Truxt afirma que ampliou sua operação offshore desde 2021, mas não informa o valor administrado nessa frente por razões de confidencialidade. A casa também declara ter recebido R$ 600 milhões em seus dois fundos de ações mais protegidos em julho e agosto. Agosto não integra o período analisado pelo ranking, e os dois produtos acumulavam alta de 17% a 20% no ano.

A Planner atribui a redução do patrimônio à mudança de atuação para a administração fiduciária de fundos, atividade na qual registrou crescimento relevante.

Juros e concorrência pressionaram a indústria

A mudança ocorreu após uma alteração no ambiente de investimentos brasileiro. Durante a pandemia, a Selic chegou a 2% ao ano, o que estimulou a procura por alternativas à renda fixa tradicional e abriu espaço para gestoras de ações e estratégias de maior risco.

Com a alta dos juros, a renda fixa passou a oferecer retornos elevados, menor volatilidade e, em alguns produtos, vantagens tributárias. Debêntures incentivadas, LCI, LCA, CRI e CRA passaram a disputar recursos com os fundos. FIIs e Fiagros também podem oferecer rendimentos isentos para pessoas físicas, desde que atendidos os requisitos previstos.

ETFs e investimentos no exterior ampliaram as alternativas para quem buscava exposição a ações e diversificação internacional, reduzindo a dependência dos fundos brasileiros.

As gestoras médias também enfrentaram a expansão das plataformas do BTG Pactual, XP e Itaú. Para William Eid, professor de finanças da FGV, essas casas ficaram entre grandes bancos e plataformas, de um lado, e pequenas gestoras com estruturas enxutas e atuação especializada, de outro.

A dificuldade aumentou quando alguns fundos apresentaram retornos pouco superiores ao CDI. Nesse cenário, tornou-se mais difícil justificar a permanência dos investidores diante da volatilidade e das taxas cobradas. Investidores mais sofisticados também passaram a diversificar diretamente em crédito privado, ETFs e fundos internacionais.

A Resolução 175 criou novas estruturas de fundos e ampliou o acesso do varejo a produtos como Fundos de Direitos Creditórios (FIDCs), mas também elevou custos operacionais e regulatórios, pressionando principalmente as gestoras médias.

Para Eid, a indústria tende a ficar mais concentrada. Gestoras médias generalistas devem perder espaço, enquanto grandes instituições e butiques altamente especializadas, com bons resultados, tendem a reunir uma parcela maior dos recursos.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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