As fintechs devem ampliar o lucro em ritmo superior ao dos bancos tradicionais em 2027, segundo projeções revisadas pelo Bank of America (BofA) para o setor financeiro brasileiro. O banco estima crescimento de 26% para as fintechs, contra 9% para os bancos tradicionais.
Nubank aparece como destaque entre as empresas do segmento. As projeções para PicPay e Inter foram reduzidas, enquanto a estimativa para Nubank ficou em grande parte inalterada. O BofA também citou Itaú e BTG Pactual entre suas preferências, pela gestão e pela diversificação.
O relatório, assinado por Mario Pierry e Antonio Ruette, passou a considerar um cenário de crescimento econômico menor e cortes mais rápidos da taxa básica de juros. A previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) foi reduzida de 2,3% para 1,8% em 2026 e de 1,3% para 0,9% em 2027.
Para a Selic no fim de cada ano, a estimativa passou de 13,75% para 13,25% em 2026 e de 12,75% para 11,25% em 2027. A redução dos juros pode ajudar empresas de mercado de capitais e parte do setor de pagamentos, ao sustentar receitas e diminuir custos de captação.
As estimativas de lucro dos bancos foram cortadas em 2% para 2026 e em 4% para 2027. O BofA associou a revisão ao crescimento mais fraco do crédito e ao custo de risco ainda elevado. Banco do Brasil e Bradesco tiveram as maiores reduções negativas, relacionadas a premissas de provisões mais altas e a uma perspectiva de receitas mais moderada, respectivamente.
Entre as empresas de mercado de capitais, o banco elevou em 2% as projeções de lucro da XP e em 3% as da B3 para 2026 e 2027. A instituição apontou a volatilidade macroeconômica e a recuperação gradual da atividade com a queda dos juros como fatores favoráveis.
No setor de pagamentos, as projeções para PagSeguro e Stone foram reduzidas em cerca de 5% para 2026, devido a provisões maiores, baixo crescimento do Volume Total de Pagamentos (TPV) e competição. Para 2027, porém, houve alta de 2%, com a expectativa de que o menor custo de captação compense essas pressões.
As seguradoras também tiveram cortes nas estimativas de lucro: 2% para 2026 e 3% para 2027. O BofA avalia que juros menores pressionam a receita financeira e limitam o avanço dos resultados.
Além de Itaú e BTG Pactual, o banco citou B3 e Bradesco por apresentarem maior sensibilidade à queda dos juros e à melhora do sentimento. A maioria dos preços-alvo foi elevada por causa da rolagem da base para o fim de 2027, sem alteração nas recomendações. O segmento financeiro acumulou alta de 14% em 15 dias, em meio à volatilidade antes das eleições presidenciais.








