BRASÍLIA — Entidades empresariais articulam um manifesto que pede ao Supremo Tribunal Federal uma sessão pública para examinar fatos relacionados à crise institucional. A mobilização é liderada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e o documento deve ser divulgado ainda hoje, após o encerramento das adesões às 12h desta terça-feira.
Mais de 100 assinaturas foram reunidas, segundo os organizadores. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) confirmaram a adesão. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e o Sindicato Nacional da Indústria de Tratores, Caminhões, Automóveis e Veículos Similares (Sinfavea) avaliam assinar a versão final.
Mudanças na versão do documento
O manifesto em circulação sustenta que o Supremo é o guardião da Constituição, mas deve prestar contas e submeter suas decisões a critérios de transparência, justiça e fundamentação. O texto também afirma que juízes devem estar acima de qualquer suspeita e pede que o plenário da Corte analise os fatos com urgência, sem subterfúgios e sem corporativismo.
“O Brasil, como é notório, atravessa uma crise institucional de extrema gravidade”, afirma o documento. Em outro trecho, as entidades dizem que não existe Estado de Direito sem juízes acima de qualquer suspeita.
Duas versões foram discutidas entre entidades empresariais. A primeira, chamada de “Manifesto pela Justiça Brasileira”, defendia que autoridades suspeitas ou acusadas fossem afastadas da análise de processos relacionados a elas. Também propunha que o plenário do Supremo se pronunciasse em uma discussão livre, pública e presencial.
Parte do empresariado discordou desse conteúdo. Interlocutores envolvidos na articulação afirmam que o setor privado não pretende pedir o afastamento de ministro do Supremo nem ampliar suas próprias prerrogativas. Por isso, a segunda versão retirou esse encaminhamento e concentrou o pedido na análise pública dos fatos pelo plenário.
Adesões e receios
Entidades dos setores automobilístico, têxtil, de construção, imobiliário, financeiro, do agronegócio, do comércio, de cooperativas e de advocacia foram procuradas para participar. Algumas organizações ligadas à agroindústria e ao setor têxtil demonstraram preocupação com a adesão durante o período eleitoral.
Os receios citados incluem a possibilidade de o manifesto ser interpretado como um movimento político, de haver “contaminação do pleito” e de ocorrerem retaliações em casos julgados pelo Supremo. Empresários que participaram da organização defendem que o setor privado se posicione para tentar frear o agravamento da crise institucional.
A mobilização ocorre após a Polícia Federal revelar, na última semana, 52 mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a um número identificado pela corporação como pertencente ao ministro Alexandre de Moraes. As mensagens mencionam o uso de aeronaves e contratos envolvendo o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado.
A Fiesp não respondeu aos questionamentos. Paulo Skaf, presidente da entidade, também não atendeu. O espaço permanece aberto para manifestação.
A federação já havia articulado mobilizações empresariais em outros momentos. Em agosto de 2022, sob o comando de Josué Gomes da Silva, lançou o manifesto “Em defesa da democracia e da Justiça”. Em setembro de 2021, com Skaf na Presidência, publicou “A Praça é dos Três Poderes”. Em 2015, lançou o movimento “Não Vou Pagar o Pato”, contra o aumento de impostos.








