O ex-presidente Michel Temer (MDB) pediu serenidade diante do clima de conflito e apreensão no país e defendeu que o Supremo Tribunal Federal (STF) decida rapidamente a questão que provoca tensão interna na Corte. A manifestação foi divulgada em vídeo nas redes sociais na quarta-feira (9), com referência também às eleições de outubro.
Temer afirmou que o momento exige compreensão sobre o papel das instituições e exercício da democracia. Para ele, a prioridade deve ser a preservação do STF, que classificou como guardião da Constituição. O ex-presidente declarou que a desobediência ao texto constitucional representa uma afronta à vontade soberana do povo brasileiro.
“Preservar a harmonia dos poderes é uma questão de sobrevivência para a nossa República”, disse Temer. Ele afirmou não atuar em defesa de pessoas específicas, mas pela integridade das instituições, especialmente do Supremo.
O ex-presidente também sustentou que a Corte precisa resolver a questão para impedir a continuidade do ambiente de instabilidade. Na avaliação dele, as instituições têm maturidade e instrumentos constitucionais para solucionar a crise, desde que haja diálogo e respeito. Temer defendeu ainda a apuração de responsabilidades, com a harmonia, a paz e a defesa da Constituição como orientação.
Decisões envolvendo o STF e a Polícia Federal
A crise mencionada por Temer envolve decisões recentes de ministros do STF. André Mendonça, relator do caso Master, derrubou o sigilo de informações sobre conversas entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O empresário teria consultado Moraes antes de ser preso para saber se deveria deixar o país. Também foi mencionado um contrato de R$ 131 milhões do escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa de Moraes, com o Master.
Aliados de Lula acusaram Mendonça de favorecer a campanha de Flávio Bolsonaro (PL). No início da semana, o ministro determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e de outro integrante da cúpula da corporação. Nesta quarta-feira, Flávio Dino determinou a reintegração.
Diante das decisões, o presidente do STF, Luiz Edson Fachin, suspendeu as medidas de Mendonça e Dino sobre o diretor-geral da PF. Fachin apontou risco de decisões contraditórias e de tumulto processual, porque Moraes e Mendonça tratavam de questões relacionadas com base em provas comuns.








