Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Inteligência artificial muda tarefas e exige reinvenção na advocacia

Tecnologia já apoia pesquisas e textos jurídicos, mas decisões estratégicas ainda dependem de profissionais humanos, avalia Rafaella de Aquino.

Inteligência artificial muda tarefas e exige reinvenção na advocacia

A inteligência artificial já entrou no universo jurídico, mas ainda está distante de tornar os advogados dispensáveis. A tecnologia vem sendo usada principalmente em tarefas de menor complexidade, como pesquisa de leis e jurisprudências, redação, revisão e resumo de textos simples. Para Rafaella de Aquino, advogada, o avanço deve exigir novas habilidades dos profissionais do direito e pode reduzir a quantidade de pessoas necessária para atender à população.

A mudança ocorre porque os modelos mais recentes conseguem analisar grandes acervos de textos e selecionar informações relevantes para cada contexto. Um estudo publicado em 2023 por pesquisadores da OpenAI e da UPenn apontou que profissões intensivas em linguagem e análise textual estão entre as mais vulneráveis aos modelos de linguagem. No ano passado, um relatório da Goldman Sachs estimou que 17% dos empregos jurídicos nos EUA estariam em risco.

Uso ainda restrito e casos de erro

Embora profissionais de diferentes áreas do direito já utilizem AI, a maior parte das aplicações ainda se concentra em atividades associadas a estagiários ou recém-formados. O efeito sobre a produtividade existe, mas, na avaliação da advogada, ainda não é transformacional.

O uso da tecnologia também trouxe problemas. Em abril, um desembargador do TJ/RJ identificou AI em uma petição que citava jurisprudência inexistente. O episódio foi classificado como “alucinação de inteligência”, o processo foi extinto e a OAB foi acionada. Em maio, o STJ passou a investigar tentativas de manipular sistemas de AI do tribunal por meio de prompt injection.

Também há sinais de expansão do setor. Uma startup brasileira de AI voltada ao uso jurídico foi avaliada em mais de US$ 1 bilhão há poucos meses.

Profissionais como coordenadores

A tecnologia atual já permite reunir agentes especializados em tarefas diferentes, coordenados para ampliar a capacidade dos profissionais do direito. Nesse cenário, advogados precisariam atuar como maestros dessa estrutura.

A presença humana, porém, continuaria necessária por razões de legitimidade, responsabilidade e confiança dos clientes, sobretudo em decisões estratégicas. Para que a tecnologia alcance seu potencial, o uso de AI teria de deixar de ocorrer de forma informal e passar a ser integrado de maneira transparente às práticas jurídicas.

Essa transição dependeria da atualização das normas e de mudanças culturais. A previsão é de que os escritórios possam passar a apresentar, além do currículo dos sócios, as tecnologias de AI utilizadas. Uma sociedade sem advogados, contudo, ainda estaria distante: entre a redução de profissionais e a eliminação da carreira, haveria uma diferença considerável.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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