A inteligência artificial já participa de diferentes etapas do recrutamento no setor hoteleiro, como a elaboração de vagas, a triagem de currículos, a busca ativa por candidatos e a análise de entrevistas. As aplicações, os ganhos possíveis e os limites da tecnologia foram discutidos na palestra IA na contratação e avaliação de perfil, realizada no segundo dia do 4º Encontro de Gente Hoteleira.
Shuji Shimada, CEO da Quick.in, afirmou que acompanhar a evolução tecnológica é essencial. Com mais de 50 anos de experiência na área, o executivo também destacou que funções como as de programadores e desenvolvedores estão sendo reinventadas.
Pressão sobre as contratações
A apresentação relacionou o avanço da IA aos desafios da gestão de pessoas na hotelaria, entre eles o turnover, a escassez de mão de obra e o custo de uma contratação inadequada. O setor hoteleiro registrou 24,88% de turnover acumulado no primeiro semestre de 2026. Em áreas de linha de frente, como recepção, governança e manutenção, o índice anual supera 50%.
A análise de tendências da Hays para 2026 apresentada durante o encontro indica que 95,1% das empresas enfrentam escassez moderada ou extrema de mão de obra qualificada.
Shimada também percorreu a evolução dos processos seletivos, que passaram pelas indicações boca a boca, pelos classificados impressos, pelos portais de vagas e pelos sistemas ATS (Applicant Tracking System). Esses sistemas organizam as seleções e acompanham os candidatos. A IA acrescenta recursos de cruzamento de perfis, triagem e apoio à tomada de decisões com base em dados.
Aplicações e expectativas
Entre os usos já incorporados ao recrutamento estão a criação de descrições de vagas mais claras e atrativas, com critérios de SEO, e o sourcing ativo, que busca candidatos compatíveis em vez de depender apenas das inscrições. A tecnologia também pode ler currículos em massa e organizá-los por aderência à vaga em minutos.
Outras ferramentas citadas foram a pré-entrevista por voz, para coletar dados básicos dos candidatos a qualquer hora, e a transcrição e análise de entrevistas. Os recursos ampliam a capacidade dos recrutadores, mas não retiram deles a responsabilidade pela avaliação e pela decisão final.
Pesquisa apresentada por Shimada mostra que 70% dos profissionais esperam que a IA ajude a priorizar candidatos qualificados. Outros 47% esperam ganhos de eficiência nos processos de contratação, enquanto 39% apontam a possibilidade de melhorar a eficácia dos anúncios de vagas.
A ampliação das fontes de talentos foi citada por 37% dos respondentes. Já 33% esperam avanços na experiência dos candidatos e na qualidade das contratações.
Shimada afirmou que o termo IA surgiu há 70 anos e que a tecnologia já estava presente no cotidiano, ainda que de forma pouco perceptível, em aplicativos como Waze e Netflix e em marketplaces como a Amazon. Para ele, a IA generativa, presente em ferramentas como o ChatGPT, mudou a forma de enxergar essa tecnologia. O executivo defendeu que a ferramenta apoie as decisões sem substituir a avaliação das pessoas responsáveis pela contratação.









