A hotelaria está revisando critérios e processos de contratação para alcançar profissionais que ainda não são atendidos pelos modelos tradicionais de recrutamento. O tema foi discutido no painel “Novas fronteiras da contratação: o que o mercado tem feito para sair do tradicional?”, realizado na manhã de 17, durante o 4º Encontro de Gente Hoteleira.
A conversa foi moderada por Marcelo Boeger, gestor de Hospitalidade e consultor, com a participação de Hubber Clemente, CEO da AFROTURISMO HUB; Nilton Camillo, gerente geral do Meliá Paulista; e Maurício Reis, gerente de Pessoas & Cultura da Accor.
Clemente defendeu que os hotéis compreendam melhor a realidade dos candidatos e tornem os processos seletivos mais humanizados. “O perfil com o qual a hotelaria está acostumada ficou ultrapassado”, afirmou. Para ele, as empresas precisam avaliar se os métodos de recrutamento correspondem às diferentes realidades das pessoas que podem trabalhar no setor.
Reis avaliou que a pandemia mudou o comportamento dos profissionais em escala global e ampliou a concorrência por mão de obra. Entre as alternativas que passaram a disputar esses trabalhadores, citou Uber, trabalhos autônomos e a atuação como influenciador.
Camillo apontou a retenção como o principal desafio atual. Segundo ele, há talentos disponíveis, mas parte deles ainda não é alcançada pelos processos de seleção. No Meliá Paulista, o índice de turnover é de 4,49%, enquanto o estudo Orçamentos Hoteleiros aponta uma taxa de 38% para a hotelaria brasileira.
Recrutamento digital e diversidade
A Accor utiliza redes sociais, grupos de WhatsApp, portais e outros canais para captar candidatos. Reis afirmou que as empresas precisam estar presentes nos ambientes digitais e comunicar benefícios e valores. “Precisamos comunicar nosso pacote de benefícios e nossos valores”, disse.
O executivo também destacou a página Talentos Accor, que apresenta a proposta de valor da rede por meio do slogan “Seja quem você é”. A iniciativa está relacionada à comunicação sobre diversidade nas equipes.
Clemente questionou se os hotéis oferecem treinamento para recrutamento e integração de grupos minorizados, além de preparação das equipes para evitar discriminação. Ele também colocou em debate se esses profissionais se sentem à vontade no ambiente de trabalho e se as empresas mantêm equipes diversas.
No Meliá Paulista, cerca de 20% da equipe tem mais de 50 anos, e outros 5% têm mais de 60. Camillo afirmou que as camareiras mais velhas realizam o trabalho com carinho e informou que o empreendimento desenvolve programas de treinamento para haitianos e venezuelanos. No mesmo período, o NPS subiu de 47% para 78% nos últimos dois anos.
Para empreendimentos independentes, Clemente avaliou que a dificuldade é maior porque muitos gestores acumulam funções. Com isso, a pessoa responsável pelo RH nem sempre consegue dedicar tempo à gestão de pessoas.
Camillo defendeu que as entrevistas finais de processos seletivos remotos sejam presenciais. Na avaliação dele, o candidato precisa conhecer o gestor e o ambiente de trabalho para evitar uma diferença entre a expectativa criada durante a seleção e a realidade do hotel.









