Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Conversor de R$ 500 não transforma carro antigo em flex, dizem especialistas

A mudança da gasolina E30 para E32 não indica necessidade geral de adaptação, mas o uso de etanol exige avaliar todo o sistema de combustível.

A gasolina E32 reacendeu entre proprietários de carros antigos a discussão sobre módulos capazes de adaptar veículos originalmente movidos apenas a gasolina para o uso de etanol. Vendidos por cerca de R$ 500, equipamentos como BioFlex ECO e Flex Master alteram o tempo de abertura dos bicos injetores, mas não transformam tecnicamente o automóvel em flex.

Desde 1º de agosto de 2026, a gasolina comum e comum aditivada passou temporariamente de E30 para E32. A mistura tem 68% de gasolina e 32% de etanol anidro, ou seja, apenas dois pontos percentuais a mais de etanol. Os estudos que embasaram a mudança não apontaram impacto relevante no funcionamento dos veículos avaliados, embora não tenham incluído ensaios específicos de durabilidade de longo prazo com a nova composição.

O BioFlex ECO é instalado entre a central eletrônica original e os injetores, sem necessidade de cortar a fiação, segundo a Planatc, fabricante do produto. O módulo tem 16 posições de regulagem, entre 0% e 40%, e aumenta o tempo durante o qual os bicos permanecem abertos. A empresa informa que há versões diferentes conforme o sistema de injeção e o tipo de conector.

Limites do módulo

O dispositivo não identifica sozinho a concentração de etanol no tanque. O motorista precisa definir no equipamento quanto o tempo de injeção será ampliado. A central eletrônica original continua enviando o comando que foi projetada para produzir, enquanto o módulo modifica o sinal antes que ele chegue aos injetores.

Clayton Zabeu, professor da área de Mecânica do Instituto Mauá de Tecnologia, explica que essa solução não reproduz o gerenciamento eletrônico de um veículo flex de fábrica. Um carro bicombustível precisa adaptar, entre outros itens, a ignição, a leitura da sonda lambda, o aprendizado do combustível, a purga do cânister e o diagnóstico de falhas pelo OBD.

Edvaldo Angelo, da Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, afirma que uma alteração na calibração eletrônica não converte tecnicamente um carro a gasolina em flex. Também permanecem as características mecânicas definidas no projeto original, como a taxa de compressão.

Efeito da E32 e conversão para etanol

A passagem de E30 para E32 não equivale a abastecer um carro a gasolina com etanol hidratado. A maior resistência do etanol à detonação pode elevar a octanagem da mistura, mas a diferença entre as duas formulações é pequena. O menor conteúdo energético do etanol tende, em teoria, a aumentar discretamente o consumo. Nos ensaios usados para subsidiar a adoção da E32, o aumento ficou na casa de 4%, sem impacto relevante.

Renato Romio, chefe da Divisão de Motores e Veículos do Instituto Mauá de Tecnologia, disse que parte dos testes usados na avaliação da E30 foi realizada com gasolina contendo 32% de etanol, sem diferença observada no desempenho e na durabilidade do motor. Ainda assim, não houve uma avaliação específica de durabilidade de longo prazo com a E32.

A situação é diferente para quem pretende usar etanol hidratado. Uma adaptação completa pode exigir a análise de injetores, bomba de combustível, mangueiras, vedações, calibração de injeção e ignição e, em alguns projetos, alterações mecânicas. O etanol pode acelerar a degradação de materiais que não foram projetados para exposição contínua ao combustível.

O aumento do tempo de injeção também tem limites. Se a mistura ficar rica ou pobre, podem surgir alterações no consumo, no desempenho, na temperatura dos gases e nas emissões. O excesso de combustível pode remover a película de óleo dos cilindros e, em situações extremas, provocar calço hidráulico. Uma taxa de compressão inadequada também pode favorecer detonação e comprometer o motor.

A instalação requer atenção à polarização dos injetores, à posição do módulo e à distância de campos indutivos, como bobinas e cabos de vela. A Planatc informa que a garantia é de seis meses e não se responsabiliza por danos decorrentes de mau uso ou instalação incorreta.

Assim, os dados disponíveis não indicam que a mudança de E30 para E32 torne necessária uma conversão geral em carros antigos. Veículos muito antigos ou importados podem exigir avaliação individual. O módulo pode ampliar a quantidade de combustível injetada, mas não oferece, sozinho, o mesmo funcionamento e nível de confiabilidade de um sistema flex desenvolvido de fábrica.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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