BRASÍLIA — A BYD iniciou a operação comercial de um carregador ultrarrápido de 1.500 kW em uma concessionária da Denza, marca de luxo do grupo, em Brasília. O equipamento pode fazer a carga completa do cupê Denza Z9 GT em menos de dez minutos e integra um plano que prevê 1.000 estações no Brasil até o final de 2027.
Na demonstração oficial, o Z9 GT recuperou 87% da carga em nove minutos e 29 segundos. O modelo é, por enquanto, o único carro vendido no mercado nacional preparado para receber esse fluxo contínuo de energia.
Baterias reduzem a pressão sobre a rede
O carregador foi projetado com um banco interno formado por quatro baterias estacionárias do tipo Blade. Juntas, elas têm capacidade equivalente à de quatro veículos iguais ao Z9 GT. O sistema recebe energia da rede em fluxo contínuo e mais baixo ao longo do dia, armazena essa eletricidade e a libera em alta potência quando um carro é conectado.
Com essa configuração, a estação pode ser instalada em locais nos quais a rede elétrica convencional não conseguiria alimentar continuamente um ponto de potência tão alta. A quantidade de recargas ultrarrápidas consecutivas, porém, depende do nível de carga das baterias internas. A BYD não informou quanto tempo o equipamento leva para repor essa reserva depois de vários usos.
O investimento no carregador foi de R$ 1,8 milhão. Embora a estação alcance 1.500 kW, a potência disponível no Brasil fica limitada a 1.000 kW pelos conectores CCS2, de padrão europeu. O número equivale a uma taxa de 12 a 17 vezes superior à dos carregadores convencionais de 60 kW a 80 kW encontrados nas rodovias brasileiras.
Diferença entre os veículos
As estações mais rápidas disponíveis no país até então tinham 350 kW e levavam 18 minutos para elevar a carga de 10% a 80%. Outros elétricos com tomada CCS2 podem usar o novo equipamento, mas a velocidade será limitada pelo sistema de cada veículo.
A maioria dos modelos elétricos vendidos no Brasil aceita picos entre 150 kW e 250 kW. Por isso, nesses automóveis, o tempo de recarga não será alterado. O Z9 GT utiliza a plataforma e³ e a segunda geração das baterias Blade, integradas ao chassi e preparadas para receber correntes elétricas elevadas sem aumento excessivo da temperatura.
Brasília foi escolhida para a primeira operação comercial da tecnologia nas Américas por ser o segundo maior mercado de veículos eletrificados do país. A capital registrou 5.048 emplacamentos em agosto, atrás apenas de São Paulo. No Brasil, a frota acumulada de modelos eletrificados passou de 951.000 unidades desde 2022.
Na China, a tecnologia já soma cerca de 10.000 pontos em operação.








