A Tarasa colocou no mercado seu primeiro vinho, o Unicus Torrontés 2025, produzido em Salta, no norte da Argentina. A estreia reúne 3.998 garrafas numeradas e faz parte de uma proposta de produção pequena, inferior a 20 mil garrafas por ano no conjunto da vinícola.
O projeto foi criado pelo catarinense Fernando Firmino, que se aproximou do vinho durante a faculdade de Direito. Sua carreira, porém, começou na indústria de acabamentos para a construção civil. O interesse pela bebida cresceu com degustações e viagens e, em 2013, depois de conhecer a Itália, ele decidiu produzir os próprios rótulos.
Da Serra Catarinense a Salta
A ideia inicial era desenvolver o projeto na Serra Catarinense. A mudança de planos ocorreu depois que um amigo argentino apresentou a Firmino um Torrontés de Salta. Mais tarde, ao visitar os Valles Calchaquíes, ele identificou nas montanhas, no clima seco e na variação de temperatura entre o dia e a noite as condições para a produção.
A preparação até a primeira garrafa envolveu estudos e aproximação com produtores locais. A Tarasa foi estruturada em parceria com o enólogo Álvaro Dávalos Rubio, integrante da sétima geração de uma família ligada à produção de vinhos na região.
O Unicus abre espaço para uma linha que também prevê Malbec, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. A vinícola trabalha com atenção individual a cada rótulo e volume limitado.
Perfil do vinho e preço
O Torrontés apresenta perfume floral, lembranças de lichia e notas cítricas. Na boca, é seco e fresco, com textura que preenche e sabor persistente. O vinho não passa por madeira e foi descrito como capaz de acompanhar pratos de intensidades diferentes sem perder presença.
A degustação ocorreu no Bistrot Charlô, instalado no Pulso Hotel, em Pinheiros. O restaurante tem cozinha comandada por Fábio Guimarães, conhecido como Pinda, e projeto de arquitetura e interiores do Studio Arthur Casas.
Entre os pratos servidos estavam steak tartare com mix de verdes e arroz caldoso de polvo com pancetta defumada. O frescor do vinho acompanhou a carne crua, enquanto a acidez ajudou a equilibrar a gordura da pancetta. A refeição foi encerrada com mousse de chocolate.
O preço é de R$ 595. A produção numerada e a escolha de elaborar o vinho em Salta integram a proposta da Tarasa, mas colocam o rótulo em uma faixa de valor elevada para um Torrontés no Brasil.








