A gestora de patrimônio TAG está desenvolvendo ferramentas de inteligência artificial para atender investidores com patrimônio entre R$ 3 milhões e R$ 20 milhões. A empresa administra R$ 18 bilhões e hoje concentra sua atuação em clientes com pelo menos R$ 20 milhões.
A proposta é automatizar parte das etapas de análise e planejamento financeiro para ampliar a quantidade de clientes atendidos. O modelo busca alcançar investidores que têm recursos relevantes, mas ainda não geram escala suficiente para receber o mesmo nível de planejamento oferecido aos maiores patrimônios.
Segundo André Leite, diretor de investimentos da TAG, o atendimento de um cliente com R$ 1 milhão envolve praticamente as mesmas atividades destinadas a alguém com R$ 100 milhões, como reuniões, análise de carteira e avaliação dos investimentos. Para a gestora, porém, a receita gerada pelo cliente menor nem sempre compensa o custo desse trabalho.
Planejamento antes da escolha dos investimentos
A TAG avalia que parte desse público teve uma experiência ruim com a indústria de distribuição e passou a buscar alternativas, como o modelo de taxa fixa das consultorias de investimentos. Nesse formato, o consultor não recebe comissão e cobra um valor fixo do cliente.
Na avaliação da gestora, a assessoria baseada em comissões ajudou a ocupar o espaço deixado pela falta de escala, mas não resolveu a necessidade de um planejamento patrimonial mais amplo. O projeto de IA pretende mapear necessidades do cliente, aspectos tributários e sucessórios e, só depois, definir os investimentos.
A aposta ocorre em um cenário de crescimento limitado da riqueza no Brasil. De acordo com Leite, a faixa de clientes afluentes ganhou importância porque o segmento de grandes patrimônios avança mais lentamente.
Mais de 65 projetos em desenvolvimento
Em 2025, 90 funcionários da TAG passaram por treinamento em inteligência artificial. Para 2026, a companhia estabeleceu a meta de que cada área tivesse pelo menos um projeto-piloto. A expectativa inicial era chegar a dez iniciativas, mas o número já ultrapassou 65 projetos.
A área de tecnologia também trabalha na infraestrutura para lidar com segurança e criar um centro de dados. Ao final do ano, a empresa fará uma avaliação da infraestrutura e dos funcionários, que serão divididos conforme a adesão à tecnologia, a necessidade de treinamento e a continuidade na operação.
A TAG já usa IA em áreas administrativas. Um dos projetos, chamado Super Copilot, reúne dados internos e externos para responder às consultas dos profissionais. O sistema pode combinar dados públicos de empresas, indicadores de ações e crédito e produzir relatórios para a equipe comercial.
A automação também passou a ser usada na produção de relatórios mensais para fundos de pensão. Antes, uma analista gastava cerca de cinco horas por mês na reunião das informações e na elaboração dos documentos. Com a ferramenta, o processo passou a ser feito por meio de um comando.
Em outro teste, a equipe produziu, com auxílio de IA, um relatório de cerca de 40 páginas no dia seguinte ao interesse de um cliente em comprar uma posição relevante em uma empresa ligada ao agronegócio. Segundo a TAG, um trabalho desse tipo poderia exigir uma semana de dedicação de um profissional; com a ferramenta, foi concluído em cerca de três horas.
Para a gestora, o objetivo não é apenas reduzir custos com funcionários, mas permitir que os profissionais realizem mais tarefas.








