O mercado brasileiro de tecnologia para viagens tem 225 empresas, marcas e soluções mapeadas no Panorama das Travel Techs 2026, da Loupit. O estudo identifica concentração de capital em poucas companhias, enquanto a oferta permanece distribuída entre negócios de diferentes especialidades.
Em 2025, as viagens corporativas movimentaram aproximadamente R$ 147,8 bilhões no país, conforme os dados apresentados no levantamento. Para 2026, a projeção é de que o segmento alcance entre R$ 158 bilhões e R$ 160 bilhões. A GBTA (Global Business Travel Association) estima gastos de US$ 35,8 bilhões no Brasil, com crescimento de 13,8%.
Capital concentrado e novas categorias
Três empresas brasileiras somaram mais de R$ 1,1 bilhão em investimentos e transações societárias em pouco mais de 12 meses. O valor inclui duas rodadas de Série B, de R$ 240 milhões cada, e uma transação societária estimada em aproximadamente R$ 700 milhões. A maior parte das empresas mapeadas, porém, continua com acesso a volumes menores de capital.
A categoria com mais negócios é Tecnologia para Turismo, com 56 empresas. Depois aparecem Mobilidade, com 33; Viagens Corporativas, com 24; Agências de Viagens Online, com 21; e Eventos, com 17. Produtividade reúne três players, Benefício Corporativo tem dois e Marketplace de Viagens Corporativas conta com um.
Esse marketplace é apontado como uma categoria recente. O modelo reúne fornecedores em uma única plataforma, permite comparar preços e centraliza processos antes conduzidos diretamente com uma agência de viagens.
Para Patrick Tytgadt, CEO da Loupit, o levantamento também permite identificar possibilidades de integração entre as empresas e as especialidades do setor.
Integração de serviços e uso de IA
O estudo registra uma aproximação entre categorias. Empresas que começaram atuando em reservas, pagamentos ou gestão de despesas passaram a incorporar funções ligadas a outras etapas da jornada. Com isso, as divisões entre os segmentos ficam menos rígidas e novas verticais aparecem.
A inteligência artificial também passou a integrar a estrutura dos produtos. “A verdadeira inovação não está em lançar mais uma plataforma, mas em conectar o que já existe, automatizar o que ainda é manual e simplificar o que nenhuma solução conseguiu resolver sozinha”, afirma Tytgadt.
Leonardo Crispim, CTO da Loupit, diz que a IA passou a atuar no núcleo dos produtos, com aplicações em precificação, detecção de fraude em despesas e recomendações alinhadas à política da empresa.
O levantamento considera oportunidades para empresas que trabalham com reservas, mobilidade, pagamentos, gestão de despesas, distribuição, eventos e outras etapas da cadeia de viagens.









