Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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IA amplia produção de conteúdo, mas exige repertório para criar algo relevante

Paulo Aguiar afirma que a tecnologia facilita a execução de ideias, mas não substitui senso crítico, conhecimento técnico e decisões humanas.

IA amplia produção de conteúdo, mas exige repertório para criar algo relevante
Foto: Alice Labate/TecMundo

A inteligência artificial generativa tornou mais simples produzir imagens, vídeos, jogos e outros conteúdos, mas não resolveu a principal dificuldade do processo criativo: definir o que vale a pena criar e avaliar se o resultado é realmente bom. A análise é do criador de conteúdo e consultor Paulo Aguiar, conhecido nas redes como paulo.ia.

Ele falou sobre o tema durante a palestra “Criatividade na era da IA: Como continuar original quando qualquer ideia pode ser produzida?”, realizada no Hotmart FIRE 2026, em Belo Horizonte, na última semana. Para Aguiar, o aumento da capacidade técnica das ferramentas faz com que o diferencial deixe de ser apenas o domínio de um programa ou de um prompt.

Repertório e avaliação

Segundo o criador, a IA reduz o esforço necessário para transformar uma ideia em produto, mas não elimina a necessidade de repertório, senso crítico e bom gosto. A facilidade de produzir materiais tecnicamente impressionantes também aumenta a dificuldade de fazer algo com significado, em vez de repetir tendências.

“A ferramenta que você tem é o seu vocabulário”, afirmou Aguiar. Na avaliação dele, esse vocabulário não é construído apenas com o aprendizado sobre inteligência artificial. Ele depende de conhecimentos acumulados e da capacidade de analisar se uma criação funciona, algo que não é desenvolvido rapidamente.

Aguiar disse que voltou a criar diretamente depois da chegada da IA generativa. O trabalho passou a seguir um ciclo de aprender, criar e ensinar, com conteúdos sobre processos, tutoriais, experimentos e cuidados no uso da tecnologia.

Projetos com participação humana

Um dos exemplos apresentados na palestra foi um vídeo inspirado em uma fotografia de Lionel Messi e Lamine Yamal. Em vez de adaptar a imagem, Aguiar reconstruiu a relação entre os jogadores ao longo de quase duas décadas. Foram geradas cerca de 2 mil imagens até a seleção das 380 fotos usadas no vídeo, além de curadoria, ajustes manuais e edição. O conteúdo chegou a 37 milhões de visualizações no perfil do criador e, conforme seu relato, passou de 200 milhões em outras contas que o reproduziram.

Em outro trabalho, inspirado em Abaporu, de Tarsila do Amaral, a IA foi usada para pesquisar a obra, elaborar possibilidades de roteiro, gerar imagens e testar vídeos. As decisões sobre roteiro, figurino, atuação e direção permaneceram sob responsabilidade humana. O vídeo final tem cerca de 45 segundos e exigiu aproximadamente 60 gerações.

Para Aguiar, o público não se importa com a tecnologia usada quando o resultado é bom e consegue estabelecer uma relação com as pessoas. A IA, portanto, deve atuar como uma ferramenta para diminuir a distância entre uma ideia e sua execução, e não como substituta do processo criativo.

Ele também afirmou que a evolução dos recursos aumenta as expectativas das empresas, já que efeitos especiais e cenas impressionantes se tornam mais acessíveis. Ao mesmo tempo, profissionais dispostos a experimentar usos ainda pouco comuns podem ganhar espaço. A criação de jogos com IA foi citada como exemplo, e Aguiar disse esperar produzir um jogo para uma marca até o fim deste ano.

Ao encerrar a palestra, ele propôs que o público reflita sobre três pontos: quais tarefas podem ser entregues à IA, quais capacidades permanecem individuais e que projetos cada pessoa gostaria de realizar, mas ainda não conseguia produzir.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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