PARIS — O papa Leão XIV voltou a alertar sobre os riscos da inteligência artificial para o futuro da humanidade. Durante uma visita ao Palácio do Eliseu, em Paris, na França, nesta sexta-feira (25), ele afirmou que a tecnologia pode criar um “paraíso de máquinas” na Terra, além de moldar e invadir o cotidiano.
A inteligência artificial também foi tema de um discurso do pontífice na sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), na capital francesa. Leão XIV defendeu que o desenvolvimento tecnológico continue subordinado às necessidades humanas e não seja usado para dominação ou injustiça.
Preocupação com o avanço da tecnologia
Desde que assumiu o pontificado, em maio do ano passado, Leão XIV tem feito alertas sobre os perigos associados aos sistemas inteligentes, embora também reconheça benefícios da tecnologia.
O padre Paolo Benanti, um dos principais conselheiros de inteligência artificial do Vaticano, afirmou que a tecnologia provoca mudanças sociais de grande dimensão e difíceis de prever. Ele participou de uma cúpula sobre o tema com o Rei Charles III do Reino Unido e disse que a Igreja conduz discussões sobre inteligência artificial em diferentes locais, com a participação de bispos.
O cardeal Pietro Parolin também defendeu a regulamentação internacional da tecnologia. Para ele, “o futuro da humanidade está realmente em jogo aqui”. Parolin pediu a participação de todos na definição de regras comuns para regular o fenômeno.
A Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos anunciou, no último dia 16, uma força-tarefa para discutir o uso da inteligência artificial no país. O grupo defende que a tecnologia seja utilizada exclusivamente em benefício da humanidade e que os riscos reais sejam apresentados.
Leão XIV também demonstrou preocupação com o emprego da inteligência artificial no desenvolvimento de armas autônomas, incluindo equipamentos que ganharam força no contexto da guerra entre Rússia e Ucrânia. Em discursos anteriores, afirmou que essas armas já ultrapassaram “qualquer capacidade humana de controlá-los”.
O papa Francisco também havia feito alertas sobre os perigos da tecnologia.








