O Flamengo criticou, em 25 de setembro de 2026, a Medida Provisória que restringe a operação de empresas de apostas no Brasil. A manifestação ocorreu no dia previsto para a assinatura do texto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Patrocinado pela Betano, o clube defendeu a manutenção do setor regulado e afirmou que uma mudança no marco atual pode prejudicar o esporte, a economia e a arrecadação pública. Para o Flamengo, as empresas passaram a operar com base em regras de fiscalização, tributação e proteção ao consumidor após discussões no Congresso e no Governo Federal.
“O jogo não vai acabar com uma canetada”, afirmou o clube em nota. Segundo a instituição, a proibição das empresas legalizadas não eliminaria as apostas, mas poderia ampliar a atuação do mercado clandestino e reduzir a capacidade de fiscalização sobre a atividade.
O Flamengo também declarou que a alteração afetaria o futebol profissional, as categorias de base, o futebol feminino, os esportes olímpicos e os campeonatos. A nota cita ainda possíveis impactos sobre empregos, empresas de comunicação, marketing e tecnologia, fornecedores, arenas e prestadores de serviços.
Patrocínios em risco
A Betano concordou em pagar R$ 266 milhões anuais para exibir sua marca no espaço mais nobre da camisa do Flamengo. A empresa também patrocina o Brasileirão e a Copa do Brasil.
Casas de apostas que patrocinam clubes das Séries A e B já notificaram equipes sobre a possibilidade de rescisão imediata dos contratos. Atualmente, 14 dos 20 times da Série A exibem marcas de bets no principal espaço das camisas.
Se a medida atingir apenas cassinos online e jogos de azar, os contratos vigentes terão de ser renegociados. Caso toda a operação de bets seja proibida no país, as operadoras consideram inevitável o fim dos acordos de patrocínio.
O clube citou uma pesquisa do Instituto Locomotiva, realizada em maio de 2026 com 2.291 apostadores, e um estudo da LCA Consultores. A estimativa é que entre 38% e 44% do valor apostado online ocorra em plataformas clandestinas. A participação estimada do mercado ilegal teria caído de 41% a 51% em 2025 para 38% a 44% no primeiro semestre de 2026.
Na nota, o Flamengo defendeu o aperfeiçoamento das regras caso existam problemas, mas afirmou que empresas e instituições não devem assumir compromissos sob uma regulamentação que pode ser alterada de forma repentina. O clube também pediu combate ao jogo ilegal, proteção à população e preservação da segurança jurídica e da sustentabilidade das instituições esportivas.








