A possibilidade de instalar no Brasil data centers voltados à nuvem e à inferência de inteligência artificial ganhou força com mudanças no cenário internacional, segundo Thomaz Dreifuss, líder do BNP Paribas para tecnologia, mídia e telecomunicações na América Latina. Ele afirma que contratos podem ser fechados nos próximos 30 a 60 dias e que parte dos projetos deve ser anunciada entre agora e o início de 2027.
Dreifuss mapeou entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões em empreendimentos em negociação. O cálculo considera apenas a infraestrutura física dos centros de dados e não inclui chips e processadores. O maior projeto pode alcançar 800 MW, capacidade comparada por ele ao consumo de Fortaleza, com um milhão de habitantes.
Fatores que ampliaram o interesse
Na avaliação do executivo, a guerra no Irã e os ataques na região aumentaram a percepção de risco sobre áreas antes vistas como estratégicas por empresas americanas. Com menos alternativas geográficas, a América Latina passou a ganhar relevância como região politicamente e militarmente mais estável para esses investimentos.
A pressão também aumentou com moratórias impostas ou debatidas em Estados americanos. Reclamações de eleitores sobre o impacto dos data centers nos preços de energia contribuíram para restrições a novos empreendimentos em Estados como Nova York e Virgínia.
Dreifuss diz que a aceleração não ocorreu apenas por causa do ReData, programa de incentivos tributários para data centers lançado no fim de agosto. Para ele, o Brasil reúne energia competitiva, conexão de fibra, cabos submarinos, transmissão e energia verde. “O Brasil tem potencial de ser um celeiro de data centers”, afirmou.
Limites atuais para inteligência artificial
Os menores projetos da nova onda devem ter capacidade entre 100 e 150 megawatts (MW), escala equivalente à das maiores regiões de dados brasileiras já instaladas. O executivo afirma que eles têm empresas, terrenos e custos identificados, e não são iniciativas especulativas.
A América Latina já pode receber estruturas para nuvem e inferência de inteligência artificial, mas ainda não abriga data centers dedicados ao treinamento de modelos, chamado de machine learning. Dreifuss descreve esses centros como “a universidade do robô” e afirma que sua instalação fora dos Estados Unidos é mais difícil de prever.
Com o avanço do ReData, ele espera novos debates sobre a legislação de inteligência artificial e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), depois da discussão tributária.








