Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Governo avalia limitar uso de gás em data centers beneficiados pelo Redata

Decreto pode permitir termelétricas a gás apenas como respaldo e exigir compensação de emissões quando forem a fonte principal.

Governo avalia limitar uso de gás em data centers beneficiados pelo Redata

A regulamentação dos incentivos fiscais do Redata pode exigir que data centers abastecidos principalmente por gás compensem todas as emissões. A alternativa em discussão no governo é permitir o uso de termelétricas a gás apenas como backup, enquanto o decreto detalha as regras do programa aprovado pelo Congresso.

A previsão é que a regulamentação seja divulgada amanhã, junto com a sanção presidencial do projeto pelo presidente Lula, ou até o final da semana. A definição ocorre em meio à disputa entre grupos de energia renovável e representantes do setor de gás sobre o fornecimento necessário para os novos centros de dados.

Disputa sobre a matriz energética

A versão original do projeto previa incentivos somente para data centers que contratassem 100% da energia de fontes limpas e renováveis. A proposta foi apoiada por empresas como a Casa dos Ventos, do empresário Mario Araripe, que enfrentam excesso de oferta de geração eólica e solar e veem o consumo dos data centers como uma possibilidade para absorver essa produção.

Na fase final da tramitação no Senado, o texto passou a incluir projetos abastecidos por fontes de energia de baixa emissão. A mudança abriu espaço para empreendimentos que utilizem termelétricas a gás, mas a regulamentação pode reduzir esse espaço.

Um executivo do setor de gás afirmou que a Fazenda estaria cedendo à pressão das renováveis e que a restrição poderia criar uma reserva de mercado. Ele também disse que o gás é uma das fontes usadas em investimentos internacionais em data centers.

Necessidade de fornecimento contínuo

Xisto Vieira, presidente da Associação Brasileira dos Geradores Termelétricos, considera que limitar o gás prejudicaria o setor e os próprios data centers. Na avaliação dele, essas instalações precisam de energia confiável 24×7 e não podem depender apenas de fontes sujeitas à intermitência.

“Não adianta querer mudar as leis da física. Tem que ter uma fonte de energia firme, senão não vai dar certo”, disse Vieira.

Maurer argumentou que a produção renovável não coincide integralmente com o horário de consumo: o sol não gera à noite, e a geração eólica tem sazonalidade. Na avaliação dele, termelétricas ou hidrelétricas teriam de preencher essa diferença, mas as hidrelétricas já estariam estranguladas.

Possível impacto nas tarifas

Um executivo do setor afirmou que, mesmo com a restrição ao gás nos data centers, o sistema poderia precisar contratar mais termelétricas despacháveis em leilões de capacidade. Nesse cenário, os custos seriam repassados às tarifas de energia, em vez de serem pagos diretamente pelos donos dos centros de dados.

Nos Estados Unidos, a expansão dos data centers já gerou resistência popular por causa dos custos ao sistema elétrico e do possível repasse às tarifas. No Texas, a Amazon fechou um acordo para abastecer integralmente um novo data center com uma usina térmica a gás de 7,65 gigawatts, sem conexão à rede.

Nos EUA, o gás atende 40% da demanda de eletricidade dos data centers. As renováveis respondem por 24%, a energia nuclear por 20% e o carvão por 15%, segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA).

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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