O negócio de gás da Energisa cresceu 60% no acumulado do primeiro semestre, enquanto o EBITDA consolidado da holding avançou 1% no mesmo período. A divisão registrou EBITDA de R$ 109 milhões, ante R$ 4,6 bilhões do grupo como um todo.
A diferença de ritmo reforça a aposta da companhia em diversificar sua atuação para além da distribuição de energia elétrica. Para Fabio Bertollo, presidente dos negócios de gás da Energisa, o segmento ainda tem amplo espaço para expansão, especialmente porque a cobertura das redes permanece baixa.
Baixa cobertura sustenta expansão
No Espírito Santo, 94% da população ainda não está conectada à rede de gás. Nos Estados do Nordeste atendidos pela Norgás, o percentual chega a 97%.
A Energisa entrou no mercado em 2023, quando comprou a ES Gás, concessionária do Espírito Santo. Em 2024, adquiriu 51% da Norgás, que participa de distribuidoras em Alagoas, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
Na ES Gás, a quantidade de clientes aumentou 28% nos últimos três anos e chegou a 100 mil. Na Norgás, a base cresceu 16,5% em dois anos, alcançando 282 mil consumidores.
“Podemos continuar crescendo por muito tempo”, afirmou Bertollo. A estratégia é combinar crescimento orgânico com possíveis fusões e aquisições, seguindo o modelo de empresas que trabalham simultaneamente com gás e eletricidade.
Termelétricas podem ampliar receitas
A companhia também vê oportunidade no fornecimento de gás para usinas termelétricas. Em março, o Governo promoveu um leilão de energia para contratar usinas a gás destinadas a reforçar o sistema elétrico principalmente nos momentos de maior demanda. A expectativa da Energisa é que novas licitações sejam realizadas nos próximos anos.
Os projetos contratados nas áreas da ES Gás e da Norgás nesse leilão devem gerar valor presente líquido de R$ 367 milhões para a Energisa. O montante está relacionado às estruturas adicionais necessárias para atender às usinas, que posteriormente gerarão receitas para as concessionárias.
“Isso vai acontecer sim ou sim”, disse Bertollo ao defender a continuidade do modelo de leilões para termelétricas.
Data centers e biometano
Os data centers aparecem como outra possível fonte de demanda. Esses projetos consomem grandes volumes de energia e podem exigir a expansão das redes de gás, na avaliação da companhia.
O Redata, programa de incentivos a data centers do Governo, começou prevendo isenções tributárias para projetos abastecidos por geração renovável. O texto aprovado no Senado ampliou o alcance para empreendimentos associados a fontes de baixa emissão, o que abriu espaço para o gás.
A regulamentação ainda é alvo de disputa. A Energisa defende as termelétricas como fonte de energia firme para os data centers e pretende oferecer soluções baseadas em gás.
A divisão também investiu em uma usina de biometano em Santa Catarina e conclui um segundo projeto no Paraná. O combustível renovável é produzido a partir de resíduos e representa uma nova frente dentro da estratégia de diversificação da companhia.









