Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Projetos de data centers pressionam planejamento da rede elétrica

ONS avalia pedidos que somam 10 GW, enquanto novas linhas de transmissão podem levar de cinco a sete anos para ficar prontas.

Projetos de data centers pressionam planejamento da rede elétrica

A expansão dos data centers no Brasil esbarra no tempo necessário para ampliar a transmissão de energia. O ciclo completo entre os estudos e a construção de uma nova linha leva no mínimo cinco a sete anos, enquanto os incentivos fiscais do Redata têm duração prevista de cinco anos.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) recebeu pedidos de conexão de projetos que somavam 80 gigawatts em demanda. O volume seria suficiente para praticamente dobrar o consumo de energia no País. Após a exigência de garantias financeiras, cerca de 10 GW permaneceram em avaliação.

Desse total, 3 GW já têm contrato de uso da rede assinado, 2 GW tiveram a conexão aprovada e outros 5 GW continuam sob análise. O ONS pretende divulgar ainda este ano um mapa com as regiões capazes de receber novas instalações.

Conexões concentradas no Sudeste

A NextStream Data Centers, controlada pela gestora britânica Actis, está entre as empresas que planejam projetos no Sudeste. A região é a preferência de provedores de nuvem e instalações hyperscale por sua proximidade das principais metrópoles, especialmente no corredor entre São Paulo e Campinas.

Para Serafim Abreu Junior, CEO da NextStream e ex-diretor da Scala Data Centers, além de ex-CFO e vice-presidente da IBM Brasil, a geração disponível não deve ser o principal obstáculo. “Existe um excesso de energia, mas acho que vai ser rapidamente consumido”, afirmou. As sobras de energia eólica e solar estão concentradas no Nordeste, enquanto a demanda dos novos empreendimentos tende a se concentrar no Sudeste.

Alexandre Zucarato, diretor de Planejamento do ONS, disse que a conexão de cargas desse porte exige avaliação específica. Em São Paulo, segundo ele, a rede está esgotada depois de anos sem expansão das instalações necessárias para conectar grandes consumidores.

Limitações também no Nordeste

Piauí e Ceará atraem projetos por causa de incentivos fiscais em suas Zonas de Processamento de Exportação, mas também apresentam limitações técnicas. A entrada dos data centers, portanto, pode exigir investimentos adicionais na geração e na transmissão.

Uma nova usina pode ser construída em prazo menor quando há falta de geração. A expansão das linhas, porém, tem outro ritmo. “Em cinco anos, a capacidade de transmissão é praticamente inelástica”, afirmou Zucarato.

Talita Porto, presidente da Associação Brasileira de Transmissoras de Energia (Abrate), disse que as empresas do setor têm interesse e capacidade para participar da construção das linhas necessárias. Ela defendeu a coordenação do planejamento, porque projetos iniciados agora podem resultar de estudos feitos há 10 anos atrás. A disponibilidade de equipamentos também é uma restrição: a instalação de um data center pode levar um ano e meio, enquanto a entrega de um transformador exige no mínimo dois anos.

Risco para a operação

O impacto de cada empreendimento pode ser elevado. Um único grande data center pode demandar 2 GW, acima da capacidade da maior unidade geradora em operação em uma usina no País: o reator de Angra 2, com 1,3 GW.

Sem reforços na transmissão e outras medidas de segurança, a entrada dessas cargas poderia provocar oscilações no sistema e, em situações extremas, resultar em “apaguinhos ou apagões”, disse Zucarato. O diretor também afirmou que será necessário compreender como essa carga se comporta e como reage às variações do sistema elétrico.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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