O mercado global de fusões e aquisições movimentou US$ 3,2 trilhões no primeiro semestre de 2026, o maior volume já registrado para o período, segundo relatório do J.P. Morgan. A expansão dos investimentos ligados à inteligência artificial ajudou a impulsionar o resultado.
A tecnologia passou a influenciar não apenas negócios de software, mas também operações em infraestrutura. A necessidade de energia e de centros de processamento para sustentar a IA estimulou aquisições de geradoras e data centers. Tecnologia e indústrias diversificadas concentraram metade do volume global, com foco em ampliar capacidades, reorganizar portfólios e criar estruturas para atender à demanda.
Em maio deste ano, NextEra Energy e Dominion Energy anunciaram uma combinação avaliada em cerca de US$ 67 bilhões. A operação dará origem à maior companhia de energia elétrica regulada do mundo em valor de mercado, conforme o relatório.
Megatransações e ambiente regulatório
O período teve 48 operações acima de US$ 10 bilhões, que somaram US$ 1,3 trilhão. Entre os negócios citados está a compra da Anysphere, proprietária da Cursor, pela SpaceX, por US$ 60 bilhões. Também aparecem a proposta de combinação entre a McCormick e a divisão de alimentos da Unilever, estimada em US$ 44,8 bilhões, e a aquisição da Jetro Restaurant Depot pela Sysco, por aproximadamente US$ 29,1 bilhões.
O J.P. Morgan identificou melhora na percepção sobre o ambiente regulatório, principalmente na América do Norte. As autoridades passaram a ser vistas como mais favoráveis, reduzindo a expectativa de que barreiras impeçam grandes transações, embora ainda existam pontos sem definição completa.
A segurança nacional também ganhou peso nas decisões de investimento. Defesa, minerais críticos, semicondutores e atividades industriais passaram a ser considerados em estratégias voltadas à resiliência econômica e à redução da dependência de cadeias globais de suprimentos.
América Latina e Brasil
Na América Latina, o mercado de M&A cresceu 40% no primeiro semestre e alcançou US$ 70 bilhões, com mais de 20 operações acima de US$ 1 bilhão. Tecnologia, minerais críticos e transição energética concentraram o interesse dos investidores. Em junho, a Mercuria Energy Group comprou ativos de refino e redistribuição da Raízen na Argentina por US$ 1,42 bilhão.
O Brasil respondeu por cerca de 47% do volume financeiro latino-americano e concentrou 13 negócios superiores a US$ 1 bilhão. O interesse está relacionado ao mercado consumidor, aos recursos naturais e à posição geopolítica do país.
Entre as operações está a compra da mineradora brasileira Serra Verde pela americana USA Rare Earth, avaliada em cerca de US$ 1,55 bilhão. Do total, US$ 750 milhões vieram do Departamento de Guerra dos EUA.
No país, startups que precisam de capital têm recorrido a fusões e aquisições enquanto o mercado de IPOs não se abre, afirmou Marcelo Gayani, CEO do J.P. Morgan no Brasil. O setor de infraestrutura também aparece como porta de entrada para recursos, com destaque para energia.
Outro exemplo é a operação entre Bradesco Seguros e Odontoprev, avaliada em R$ 16,1 bilhões, que resultou na criação da BradSaúde. A transação foi apresentada como uma forma de ampliar escala, simplificar portfólios e permitir novas aquisições.








