Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
O Brasil em um ponto
Economia

Disputa por talentos em inteligência artificial amplia desafio para o Brasil

A escassez de profissionais em inteligência artificial aumenta a competição global e expõe dificuldades brasileiras para formar e reter especialistas.

Disputa por talentos em inteligência artificial amplia desafio para o Brasil

A disputa global por profissionais de inteligência artificial ganhou escala entre as grandes empresas de tecnologia. Na Meta, Mark Zuckerberg passou a oferecer pacotes de remuneração de até US$ 300 milhões em quatro anos para pesquisadores. Sam Altman respondeu com bônus para cerca de mil profissionais de pesquisa e engenharia, além de mudanças no período de aquisição de ações para novos contratados.

A competição ocorre em um mercado de trabalho cada vez mais internacionalizado. Entre a população global de imigrantes, mais da metade tem trabalho fixo e cerca de 38% possui ensino superior completo. No Brasil, 20,4% da população adulta tinha esse nível de formação em 2024.

Talentos e inovação

Profissionais qualificados contribuem para as economias onde vivem ao pagar impostos, consumir, alugar imóveis e movimentar o comércio. Também podem ocupar postos de pesquisa, transferir conhecimento e ampliar a capacidade de inovação dos países que os recebem.

Os Estados Unidos adotaram mecanismos para atrair e manter esse público. Mais de 70% dos alunos de pós-graduação em ciência da computação nas universidades americanas são estrangeiros. Depois da formação, o visto de treinamento prático permite até três anos de trabalho legal em áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.

Em 2022, 42% dos pesquisadores globais classificados como “top-tier” em inteligência artificial trabalhavam nos Estados Unidos. Em 2026, 59% dos unicórnios americanos haviam sido fundados ou cofundados por imigrantes.

A escassez é ainda maior na inteligência artificial. A Euronews estima que apenas algumas centenas de profissionais no mundo tenham experiência para construir sistemas de AI em escala. No Brasil, entre 2019 e 2024, o setor de Tecnologia da Informação e Comunicação demandou cerca de 665 mil profissionais, enquanto 464 mil se formaram nas áreas correspondentes no mesmo período.

Brasil tenta reduzir perdas

O Itamaraty registrou, no ano passado, 5,29 milhões de brasileiros vivendo no exterior, mais que o dobro da população estrangeira regularizada no Brasil. A perda envolve não apenas profissionais, mas também investimentos, empregos, conhecimento e empresas que poderiam ser criadas no país.

Ao mesmo tempo, o número de startups brasileiras de inteligência artificial cresceu 177%, de 352 em 2016 para 975 em 2025. Empresas e entidades privadas também passaram a buscar alternativas. A BRASA, que reúne mais de 15 mil estudantes brasileiros em faculdades fora do país, criou um movimento para conectá-los a empresas como iFood, Itaú Unibanco, BTG Pactual e Stone.

A Enter se tornou o primeiro unicórnio de AI da América Latina. A empresa foi criada para atender departamentos jurídicos no contencioso de massa e fundada por três jovens que poderiam ter buscado financiamento nos Estados Unidos, mas escolheram o Brasil. Também foram fundadas no país a Pax, na segurança pública; a Blip, em inteligência conversacional; e a Wildlife, em mobile games.

A formação de especialistas é considerada essencial, mas não suficiente para garantir que eles permaneçam no Brasil. A defesa apresentada é a criação de uma política pública voltada à atração e à retenção de talentos, independentemente do próximo governo.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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