Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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A saliva do mosquito pode definir a intensidade da reação na pele

A resposta imune varia conforme a exposição, a genética e as proteínas presentes na saliva de cada espécie de mosquito.

A saliva do mosquito pode definir a intensidade da reação na pele

A intensidade de uma picada de mosquito não depende apenas da quantidade de insetos que atacaram uma pessoa. Mesmo após uma exposição semelhante, alguém pode quase não notar as marcas, enquanto outra pessoa apresenta inchaço, coceira intensa e lesões que permanecem por dias.

A principal explicação está na resposta do sistema imune às proteínas da saliva do mosquito. Durante a picada, o inseto injeta saliva na pele. O organismo identifica esse material como estranho e libera histamina, substância associada à vermelhidão, ao inchaço e à coceira.

A saliva também reúne compostos que impedem a coagulação do sangue e mantêm o fluxo sanguíneo durante a alimentação. Essas proteínas interferem no ambiente imune da pele poucos minutos depois da picada e direcionam o organismo para a chamada resposta Th2, mais relacionada a reações alérgicas do que ao combate a infecções.

Com isso, os vasos sanguíneos próximos ficam temporariamente mais permeáveis, favorecendo a chegada de células imunes à região. Em uma picada comum, o resultado costuma ser o aumento da vermelhidão, do inchaço e da coceira. Essa alteração, porém, também pode facilitar a instalação e a disseminação de vírus transmitidos por mosquitos.

Exposição muda a reação

Um estudo genético com mais de 84 mil participantes mostrou a ampla variação das respostas: os relatos foram de pequenas protuberâncias a inchaços grandes e intensos. A reação de uma mesma pessoa também pode mudar ao longo do tempo.

As primeiras exposições a uma espécie tendem a provocar reações mais fortes. Com contatos repetidos, o sistema imune pode se adaptar e desenvolver uma tolerância gradual. Por isso, crianças frequentemente apresentam respostas mais intensas, já que foram picadas menos vezes.

O mesmo pode ocorrer quando um adulto entra em contato com espécies desconhecidas. A saliva varia entre os mosquitos, e uma pessoa acostumada aos insetos de sua região pode reagir de forma mais intensa ao encontrar proteínas salivares diferentes em outro local.

A genética também pode influenciar a intensidade da resposta, por meio de diferenças hereditárias na regulação do sistema imune. Na maioria dos casos, as reações mais fortes estão relacionadas a uma hipersensibilidade leve à saliva.

Um número muito menor de pessoas desenvolve a chamada síndrome de Skeeter. Nessa condição, o inchaço se espalha para além do ponto da picada e pode ser confundido com celulite bacteriana, uma infecção de pele que causa vermelhidão e inchaço. A síndrome parece resultar de uma resposta imune excepcionalmente forte às proteínas salivares, com participação de anticorpos específicos e outras reações inflamatórias. A idade, a exposição anterior e a suscetibilidade individual podem influenciar o quadro, mas a causa exata ainda não é conhecida. Reações alérgicas graves são extremamente raras.

Cuidados e doenças transmitidas

Uma compressa fria aplicada logo após a picada pode reduzir o inchaço. Anti-histamínicos orais e cremes tópicos com corticosteroides leves podem aliviar a coceira e a inflamação, especialmente quando usados no início. Coçar deve ser evitado porque prolonga a inflamação, danifica a pele e aumenta o risco de infecção.

Pessoas com reações excepcionalmente intensas, piora da dor ou febre devem procurar orientação médica. Para reduzir o risco de picadas, as medidas indicadas incluem o uso de repelentes, a cobertura da pele exposta e o uso de mosquiteiros tratados com inseticida em locais onde ocorrem doenças transmitidas por mosquitos.

A influência da saliva vai além do desconforto local. As mesmas mudanças imunes associadas à coceira podem ajudar vírus como dengue, zika e vírus do Nilo Ocidental a estabelecer uma infecção inicial mais forte e a se espalhar pelo corpo mais rapidamente do que ocorreria sem a saliva.

Pesquisas sobre malária também indicaram que crianças infectadas com Plasmodium falciparum, parasita responsável pela forma mais grave da malária humana, apresentavam odores corporais diferentes dos observados em crianças não infectadas. Alguns compostos estavam em níveis mais altos, e os mosquitos eram atraídos por parte desses odores. A hipótese é que o parasita altere o odor do hospedeiro e aumente a atração dos insetos, favorecendo a transmissão.

Por causa dessas interações, cientistas estudam vacinas voltadas à saliva do mosquito, e não somente aos patógenos transportados pelo inseto. A picada, embora pareça um incômodo pequeno, envolve uma relação complexa entre proteínas salivares e o sistema imune.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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