A intensidade das marcas deixadas por mosquitos não depende apenas da quantidade de picadas. Pessoas expostas ao mesmo número de insetos podem ter reações muito diferentes, e até a resposta de uma mesma pessoa pode mudar ao longo do tempo.
A saliva do mosquito é injetada na pele durante a picada. O sistema imune identifica o material como estranho e libera histamina, substância associada à vermelhidão, ao inchaço e à coceira. Esse mecanismo, porém, não explica sozinho toda a variação observada.
A saliva também contém proteínas que impedem a coagulação do sangue e mantêm o fluxo sanguíneo, facilitando a alimentação do mosquito. Essas proteínas alteram o ambiente imune no local poucos minutos após a picada. Elas direcionam a resposta para um padrão chamado resposta Th2, mais associado a reações alérgicas do que ao combate a infecções, e deixam os vasos sanguíneos próximos temporariamente mais permeáveis.
Com isso, mais células imunes são atraídas para a área. Em uma picada comum, o resultado costuma ser vermelhidão, inchaço e coceira. A mesma alteração pode, segundo pesquisadores, facilitar que vírus carregados pelo mosquito se estabeleçam na pele e se espalhem pelo corpo.
Exposição e características individuais
Um estudo genético com mais de 84.000 participantes registrou respostas que iam de pequenas protuberâncias a inchaços intensos. Crianças frequentemente apresentam reações mais fortes que adultos, enquanto pessoas expostas a espécies de mosquito desconhecidas também podem reagir de forma diferente. Isso ocorre porque a composição da saliva varia entre as espécies.
As reações tendem a ser mais intensas nos primeiros contatos com determinada espécie e podem diminuir com a exposição repetida, à medida que o sistema imune se adapta. A genética também pode influenciar a intensidade da resposta, por meio de diferenças hereditárias na regulação imune.
Na maioria dos casos, a reação mais forte está relacionada a uma hipersensibilidade leve à saliva. Um grupo muito menor desenvolve a síndrome de Skeeter, marcada por inchaço que se estende além do ponto da picada e pode ser confundido com celulite bacteriana. A síndrome parece envolver uma resposta imune excepcionalmente intensa às proteínas salivares, mas não há uma causa única conhecida.
Idade, exposição anterior e características individuais podem ter influência. Reações alérgicas graves são extremamente raras. Compressas frias podem reduzir o inchaço, enquanto anti-histamínicos orais e cremes tópicos com corticosteroides leves podem aliviar coceira e inflamação, principalmente quando usados no início. Coçar pode prolongar a inflamação, danificar a pele e aumentar o risco de infecção. Dor que piora ou febre exigem orientação médica.
Relação com doenças transmitidas
As mudanças provocadas pela saliva também são investigadas por causa de seu possível papel na transmissão de patógenos. Vírus como dengue, zika e vírus do Nilo Ocidental podem estabelecer uma infecção inicial mais forte e se espalhar mais rapidamente quando são introduzidos junto com a saliva do mosquito do que quando são injetados sem ela.
Pesquisas sobre malária identificaram odores corporais diferentes em crianças infectadas com Plasmodium falciparum, parasita responsável pela forma mais grave da malária humana. Alguns compostos estavam em níveis mais altos, e os mosquitos eram atraídos por parte desses odores. Isso sugere que o parasita pode alterar o odor do hospedeiro e aumentar a atração dos insetos, favorecendo potencialmente a transmissão.
Por causa dessas interações, cientistas estudam vacinas voltadas à saliva do mosquito, além das vacinas direcionadas aos patógenos transportados por ele. Para reduzir as picadas, são recomendados repelentes, cobertura da pele exposta e mosquiteiros tratados com inseticida em locais onde ocorrem doenças transmitidas por mosquitos.








