Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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John Green retorna à ficção e aborda fama, trauma e exposição da vida privada

Em Um Final de Cinema, escritor acompanha dois jovens atores e reflete sobre a transformação da experiência pessoal em mercadoria.

John Green retorna à ficção e aborda fama, trauma e exposição da vida privada
Foto: Marina Waters/Divulgação

John Green volta à ficção com Um Final de Cinema, seu primeiro romance em quase dez anos. Publicado pela Intrínseca em 1º de outubro, o livro acompanha dois jovens atores em ascensão e discute fama, exposição pública, trauma e os vínculos necessários para enfrentar mudanças.

A obra é a primeira ficção de Green voltada ao público adulto. O escritor afirma que a mudança não foi motivada pelo amadurecimento de seus leitores, mas pelo interesse em retratar personagens na casa dos 20 anos, diante das primeiras decisões importantes da vida adulta e de um futuro cheio de possibilidades.

Da exposição pessoal ao novo romance

A decisão de se afastar da ficção veio depois da experiência com Tartarugas Até Lá Embaixo, publicado em 2017. A protagonista, Aza, enfrenta Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), tema relacionado a experiências pessoais do autor. Durante a divulgação, Green precisou falar repetidamente sobre o assunto e se sentiu acolhido pela reação dos leitores, mas também esgotado pela exposição.

Aos 49 anos, ele passou a se dedicar à não ficção. Publicou Antropoceno: Notas Sobre a Vida na Terra, em 2021, e Tudo é Tuberculose: A História e A Reincidência da Nossa Infecção Mais Mortal, em 2025. Antes disso, em 2012, havia alcançado grande sucesso com A Culpa É das Estrelas, romance que vendeu mais de 5 milhões de cópias no Brasil, segundo a editora Intrínseca.

Por um período, Green não sabia se ainda tinha algo a dizer na ficção. O novo livro surgiu de um projeto que ele mantinha sem intenção de publicar: uma história sobre dois atores jovens tentando crescer em Hollywood. O autor conta que escreveu inicialmente por diversão, até se lembrar de que criar histórias é uma atividade que pratica desde os oito anos de idade.

Dois atores diante da fama

A trama apresenta Juniper, ex-atriz mirim que busca reconhecimento, e Kai, um iniciante na indústria cinematográfica. Os dois são escolhidos para interpretar um casal em uma cinebiografia de Andy Warhol, ao lado de um grande astro do cinema.

Durante as filmagens, a divulgação do longa e as entrevistas, os personagens desenvolvem uma relação profunda. Ao mesmo tempo, passam a lidar com o rótulo de celebridade e com a expectativa criada em torno da exposição de suas histórias pessoais.

Green começou o romance pensando na economia da atenção e na cultura das celebridades. Ao longo da escrita, porém, o foco se deslocou para a sobrevivência diante das dificuldades e para a importância do amor e de outras formas de conexão.

A experiência do autor com a fama também aparece na construção do livro. Depois do sucesso de A Culpa É das Estrelas, ele passou a conviver com uma atenção intensa. Green já tinha livros publicados e mantinha um canal no YouTube com o irmão, Hank Green, mas relatou que pessoas chegaram a ir à sua casa e bater à porta durante a noite, quando seus filhos ainda eram pequenos.

“Você não é apenas o produto, você também é a matéria-prima”, afirma Green ao descrever a lógica da indústria do entretenimento. Para ele, a experiência pessoal pode ser transformada em mercadoria, especialmente quando a exposição de traumas ajuda a promover filmes ou livros.

Hollywood antes da pandemia

A história se passa em 2019, antes da covid-19. Green escolheu esse período porque considera que um determinado modelo de Hollywood estava chegando ao fim e porque conhece melhor a indústria dos anos 2010 do que a dos anos 2020.

O filme sobre Warhol dentro do romance funciona como eixo para discutir a transformação da vida privada em espetáculo. O escritor vê no artista uma figura que antecipou uma cultura baseada em telas, na qual pessoas comuns poderiam se tornar famosas e passar a divulgar a própria vida como mercadoria.

A escolha também permite contrastar a época de Warhol com o presente. Para Green, o artista conseguia preservar uma vida privada mesmo sendo uma figura pública, algo que se tornou mais difícil.

O autor escreveu primeiro sob a perspectiva de Kai e depois acrescentou o ponto de vista de Juniper. A mudança permitiu mostrar como ela enxerga Kai e também acompanhar a maneira como a personagem interpreta a si mesma.

Green diz que os protagonistas enfrentam uma fase ao mesmo tempo promissora e difícil. A diferença em relação à experiência dele, segundo o escritor, é que seus relacionamentos e sua vida estruturada funcionaram como bases durante o período de maior exposição.

Um Final de Cinema tem 320 páginas, tradução de Alda Lima e preço de R$ 69,90 na edição impressa. O e-book custa R$ 46,90.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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