A Mistral pretende usar a nova rodada de financiamento para ampliar sua infraestrutura própria de inteligência artificial, com centros de dados e contratação de capacidade computacional. Liderado pela Samsung Electronics, o aporte foi de 3 bilhões de euros (US$ 3,5 bilhões) e elevou a avaliação da startup francesa para mais de 21 bilhões de euros, cerca de US$ 24 bilhões, informou a empresa nesta terça-feira, 8.
Arthur Mensch, CEO e cofundador da Mistral, afirmou que a companhia quer reduzir gradualmente a dependência de capacidade computacional externa. “A longo prazo, o plano é depender totalmente da capacidade que estamos construindo internamente”, disse. Segundo ele, a quantidade de poder computacional sob controle da empresa deverá crescer cerca de 100% nos próximos cinco anos.
Também participaram da rodada o Scaleup Europe Fund, fundo apoiado pela União Europeia e administrado pela EQT, e a PSG Equity, que já investia na Mistral. Há cerca de 12 meses, a empresa havia sido avaliada em 11,7 bilhões de euros após uma rodada liderada pela ASML, fabricante holandesa de equipamentos para semicondutores.
A Mistral pretende treinar “modelos maiores e mais rápidos” e mantém uma estratégia baseada em modelos de inteligência artificial de código aberto e em soluções desenvolvidas com empresas. A companhia já trabalha com a ASML para integrar IA a processos de fabricação e planeja adotar uma abordagem semelhante com a Samsung.
No início deste ano, Mensch havia projetado que a receita recorrente anual da Mistral ultrapassaria US$ 1 bilhão em 2026. Agora, afirmou esperar superar essa marca se tudo correr conforme o previsto, sem divulgar uma nova estimativa.
A empresa busca se apresentar como alternativa europeia à OpenAI e à Anthropic, além de disputar espaço com companhias chinesas que desenvolvem modelos de código aberto. Mensch disse que os próximos modelos da Mistral serão lançados “muito em breve” e serão “muito competitivos”.
Para o executivo, manter o treinamento internamente ajuda a garantir continuidade aos clientes em um setor sujeito a mudanças rápidas. A Mistral também aponta incertezas sobre atualizações de longo prazo e possíveis restrições de exportação como dificuldades para empresas europeias que adotam modelos chineses.








