Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Aquipta é autorizado para prevenção diária da enxaqueca em adultos

Registro do atogepanto prevê comprimidos de 10 mg e 60 mg, mas não informa preço nem data de chegada às farmácias.

Aquipta é autorizado para prevenção diária da enxaqueca em adultos
Foto: Jo Panuwat D/Adobe Stock

O diagnóstico de enxaqueca ainda não alcança milhões de brasileiros. Um estudo estima que 27 milhões de pessoas possam conviver com a doença sem confirmação médica, enquanto 23 milhões estão diagnosticadas. Nesse cenário, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o Aquipta, medicamento preventivo desenvolvido pela farmacêutica AbbVie.

O registro foi aprovado em 8 de setembro e publicado no Diário Oficial da União. O produto contém atogepanto e será apresentado em comprimidos de 10 mg e 60 mg. A resolução não informa o preço nem quando o remédio deverá chegar às farmácias.

Como o medicamento atua

O atogepanto bloqueia o receptor do CGRP, uma das principais substâncias envolvidas na dor da enxaqueca. De acordo com Pedro Henrique Cunha, especialista do Centro de Dor do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede Américas, o medicamento é de uso diário e interfere no mecanismo da doença, sem funcionar como analgésico para uma crise em andamento.

“É um preventivo de uso contínuo, tomado todos os dias, inclusive nos dias sem dor”, afirmou Cunha. A indicação, segundo o especialista, é para adultos com pelo menos quatro dias de enxaqueca por mês ou com crises incapacitantes. O remédio não é destinado a interromper uma crise depois que ela começou.

Estudos citados pela Anvisa mostraram redução significativa dos dias mensais de enxaqueca em comparação com placebo, tanto entre pacientes com a forma episódica quanto entre aqueles com enxaqueca crônica. Cunha também apontou como diferenças em relação a preventivos tradicionais a apresentação em comprimido, o início da ação nas primeiras semanas e a tolerabilidade superior à de remédios orais clássicos.

Os efeitos adversos mais comuns são constipação intestinal e náusea, observados em cerca de 6% a 7% dos pacientes.

Outras opções preventivas

A toxina botulínica é outra alternativa utilizada na prevenção, com aplicação em pontos específicos da cabeça e finalidade diferente do uso estético. Segundo Thais Villa, especialista em enxaqueca e fundadora do Headache Center Brasil, o procedimento bloqueia a liberação de substâncias ligadas à transmissão da dor e à inflamação, reduzindo a sensibilização do sistema nervoso e a frequência e intensidade das crises.

Também existem anticorpos monoclonais que bloqueiam a ação do neuropeptídeo CGRP. Esses medicamentos podem ser usados na prevenção e no tratamento da doença, de acordo com a neurologista.

Sintomas e subnotificação

A enxaqueca é uma doença neurológica crônica, de causa hereditária, marcada pela hiperexcitabilidade do cérebro. Além da dor, pode causar fotofobia, fonofobia, náuseas, vômitos, alterações gastrointestinais, distúrbios do sono, sintomas de ansiedade e alterações de atenção e memória.

O levantamento realizado pela farmacêutica Teva Brasil, com apoio da Associação Brasileira de Cefaleia em Salvas e Enxaqueca (Abraces), relaciona a subnotificação ao desconhecimento sobre a doença, à automedicação e à dificuldade de acesso a especialistas. Não há exame de sangue ou de imagem que confirme o quadro; o diagnóstico depende do relato do paciente.

As mulheres representam 75% dos pacientes diagnosticados e 63% das pessoas com sintomas compatíveis que ainda não receberam confirmação médica.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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