Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Manteigas artesanais ampliam mercado com sabores brasileiros e produção limitada

Produtos premium avançam, chegam a novos públicos e ganham espaço em restaurantes com receitas assinadas por chefs.

Manteigas artesanais ampliam mercado com sabores brasileiros e produção limitada
Foto: Rodolfo Regini/divulgação

A procura por manteigas artesanais já supera a capacidade de oferta da Lano-Alto, produtora que transforma creme de leite em versões fermentadas e tostadas. A empresa fabrica hoje 140 quilos de creme por semana, e cada aumento na produção se converteu em mais vendas, afirma Paulo Lemos, um dos fundadores.

“O que a gente colocar de manteiga no site vai vender. Vende tudo”, diz Lemos, também chamado de Peèle. A manteiga surgiu como aproveitamento do creme obtido na fazenda de Catuçaba, no alto da Serra do Mar, inicialmente organizada para produzir leite, requeijão e iogurte. Na versão tostada, o creme fermentado passa pelo fogo e ganha notas de nozes.

O movimento também aparece nos dados de mercado. Um levantamento da NielsenIQ apontou que o mercado de manteiga alcançou US$ 5,7 bilhões no último ano, ante US$ 5,3 bilhões. Em volume, a categoria convencional variou -0,1% em unidades, enquanto os segmentos premium e superpremium cresceram 18,4%.

Sabores e origem como diferenciais

As manteigas premium são associadas a processos artesanais, animais alimentados a pasto e inclusão de sabores, muitas vezes com etapas manuais. No Brasil, ingredientes como jatobá, pequi, açaí e jambu ajudam a relacionar o produto à identidade nacional.

Na Lano-Alto, a demanda atraiu um público mais amplo. Os clientes mais jovens, interessados na produção artesanal e na história dos insumos, continuam presentes. Também cresceram os compradores com ‘sessenta mais’, atraídos pela lembrança da manteiga feita antigamente. “Eles vieram atraídos pela memória da manteiga feita antigamente, o sabor de infância”, afirma Paulo.

As vendas de manteigas artesanais saborizadas no Reino Unido cresceram 24% no último ano avaliado, conforme levantamento publicado pelo The Guardian. No mesmo período, a comercialização de embalagens avançou 16,2%.

Consumo doméstico e luxo possível

A Manteigaria Nacional, que tem fábrica em Luziânia (GO), registrou uma mudança no perfil dos consumidores. A participação dos clientes finais passou de 3% em 2025 para 9% neste ano, com produtos saborizados com alho negro, trufa, jatobá, mel e frutas liofilizadas. A projeção da empresa é chegar a 20% em 2027.

A produção mensal da companhia está entre 17 e 20 toneladas. Mesmo nessa escala, permanecem manuais as etapas de embalagem, moldagem e saborização. A empresa atende hotéis, restaurantes de alto padrão, supermercados e indústrias. Uma loja em Pinheiros, na capital paulista, tem abertura prevista para novembro.

Para Regiane Bonilla, que chefia a Manteigaria Nacional ao lado do marido, Ricardo, o público busca procedência e pertencimento. Ela também relaciona o consumo ao chamado luxo possível: pequenas doses de produtos especiais em vez de uma rotina totalmente luxuosa.

A especialista em consumo Alice Pilkington aponta ainda a influência de TikTok e Instagram na descoberta de sabores por pessoas de 16 a 34 anos. Vídeos com manteigas artesanais e saborizadas ajudaram a ampliar a visibilidade desses produtos.

Chefs transformam manteiga em assinatura

O uso da manteiga como elemento central também avançou nos restaurantes. No Nelita, em São Paulo, Tássia Magalhães serve manteiga noisette com pão de fermentação natural e flor de sal. No Corrutela, Renato Mello e Letícia Ferreira fermentam o produto com koji por cerca de cinco dias, em temperatura controlada.

No Rosewood São Paulo, Rachel Codreanschi usa creme da Fazenda Atalaia e fermenta a manteiga por 72 horas com iogurte da própria fazenda. O acompanhamento é pão de milho crioulo de fermentação natural.

Em Goiânia, Ian Baiocchi mantém no Íz uma seleção de quatro sabores: pequi, tomate defumado, abóbora com baru e beterraba com limão-china. A combinação é oferecida desde a inauguração do restaurante, em 2015.

Em Brasília, Paulo Tarso muda a manteiga conforme a temporada do menu-degustação, renovado a cada três meses. Na versão atual, a base da Manteigaria Nacional recebe alho negro, missô branco e sal Maldon.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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