SÃO PAULO — Imagens tridimensionais permitiram analisar uma sequência de pegadas atribuída a um Tyrannosaurus rex adulto sem que um dos pesquisadores precisasse visitar o local. O rastro foi encontrado em 2025 perto de Marmarth, nos Estados Unidos, e reúne quatro marcas preservadas em uma extensão de sete metros.
Peter Falkingham, professor de paleobiologia da Universidade de John Moores em Liverpool e primeiro autor do estudo, examinou virtualmente os modelos produzidos pela equipe. A pesquisa foi divulgada na terça-feira (8) na revista Journal of Vertebrate Paleontology.
Como as marcas foram preservadas
As pegadas estão em uma área protegida federal administrada pelo Serviço Florestal dos EUA. O ponto fica aproximadamente 33 metros abaixo do limite entre as formações Hell Creek e Fort Union, próximo da camada geológica associada à extinção em massa ocorrida há 66 milhões de anos.
O animal deixou depressões profundas no sedimento fino. Mais tarde, elas foram preenchidas por água altamente carbonatada, cuja composição favoreceu a formação de concreções ao redor dos moldes. Esse processo preservou as impressões na rocha.
Cada marca tem cerca de um metro. Duas correspondem ao membro direito e duas ao esquerdo. O padrão com três dedos e a distância entre as pegadas ajudaram na identificação, embora a conservação não permita descrever todos os detalhes das marcas.
No local, são conhecidos tiranossaurídeos de pequeno porte do gênero Nanotyrannus e uma espécie maior, o Tyrannosaurus rex. Para Tyler Lyson, curador sênior de paleontologia de vertebrados do Museu da Natureza e Ciência de Denver e coordenador da pesquisa, apenas a espécie de maior porte teria tamanho suficiente para produzir pegadas desse comprimento: “Por isso, estamos bem confiantes que os vestígios eram deste animal”.
Velocidade e próximos trabalhos
Os modelos digitais foram usados para calcular a distância entre as marcas, o comprimento das pegadas e possíveis características biológicas do animal. A estimativa indica deslocamento entre 1,5 e 2 m/s, ou cerca de 5,4 km/h a 7,2 km/h. Esse ritmo é compatível com estudos recentes sobre a movimentação de T. rex, mas também não exclui outros tiranossaurídeos de grande porte.
Pegadas isoladas possivelmente atribuídas ao animal já haviam sido encontradas. A sequência descrita agora é a primeira formada por várias marcas deixadas pelo mesmo tipo de dinossauro. Uma quinta pegada foi identificada em novas atividades de campo realizadas durante o verão deste ano.
A equipe pretende remover pelo menos três pegadas com o uso de helicópteros. O material deverá ser levado ao Museu de Denver para preparação e posterior exposição ao público. Novas escavações podem revelar características anatômicas do pé, informações sobre a locomoção ou outros elementos da trilha, mas a compressão do sedimento pode ter comprometido o começo ou a continuidade do rastro.
Falkingham afirmou que os escaneamentos feitos em campo permitiram seu trabalho à distância: “Assim, pude examiná-las quase tão de perto quanto eles”. Para Lyson, o método de preservação pode orientar a busca por outras sequências de pegadas de dinossauros, já que paleontólogos costumam procurar principalmente ossos fósseis.









