Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Expurgos de Trump reduzem diplomacia de carreira e deixam embaixadas sem titulares

Demissões e aposentadorias compulsórias atingiram diplomatas experientes, enquanto indicados políticos ocupam a maior parte dos postos preenchidos.

Expurgos de Trump reduzem diplomacia de carreira e deixam embaixadas sem titulares
Foto: Alex Brandon/AP

A administração de Donald Trump demitiu diplomatas de carreira, promoveu aposentadorias compulsórias e substituiu profissionais experientes por indicados políticos em postos do Departamento de Estado dos Estados Unidos. O movimento deixou 99 dos 196 postos diplomáticos do país sem embaixadores, segundo dados da Associação Americana de Serviço Exterior (AFSA).

John Dinkelman, presidente da AFSA, recebeu às 10:52 de 11 de julho de 2025 um e-mail informando sua demissão. Às 17h, o computador havia sido desconectado e o iPhone, resetado remotamente. Ele deixou o Departamento de Estado após 37 anos de trabalho. “Como se eu fosse um espião”, disse.

Dinkelman assumiu a presidência da associação quatro dias depois. No mesmo dia de sua demissão, outros 264 diplomatas e mais de mil funcionários foram dispensados, no maior corte já feito no Serviço Exterior americano.

Demissões e troca de embaixadores

Dois dias antes do Natal, cerca de 30 embaixadores nomeados durante o governo de Joe Biden receberam telefonemas informando que seriam retirados de seus postos. Um ano antes, o governo Trump havia pedido que permanecessem nos cargos. O Departamento de Estado, comandado por Marco Rubio, justificou a medida pela necessidade de alinhamento com a agenda “América em Primeiro Lugar”.

A mudança ocorreu depois de uma prática habitual de transição presidencial. Em dezembro de 2024, após Trump derrotar Kamala Harris nas urnas, todos os embaixadores apresentaram pedidos formais de saída para 20 de janeiro, data da posse do novo presidente. O governo, porém, pediu que muitos diplomatas de carreira continuassem nos postos e, exatamente um ano depois, demitiu vários deles.

Dinkelman afirmou que os substitutos não foram nomeados e que a medida criou tensão entre os diplomatas que permaneceram. Para ele, a falta de reposição também rompeu procedimentos tradicionais da diplomacia.

A AFSA informa que 99 dos 196 postos diplomáticos dos Estados Unidos estão sem embaixadores. Entre os 97 postos restantes, mais de 80% são ocupados por indicados políticos. Grande parte das vagas está na África, seja porque as nomeações ainda não foram autorizadas pelo Senado americano, seja porque o presidente não escolheu os nomes.

Efeito sobre a carreira diplomática

Quando um embaixador é retirado do cargo, ele tem 90 dias para encontrar uma posição equivalente ou de maior hierarquia. Caso não consiga, é colocado em aposentadoria compulsória. Douglas Silliman, ex-embaixador no Iraque de 2014 a 2016 e no Kuwait de 2016 a 2019, comparou a carreira às patentes do Exército: o profissional é promovido ou deixa a função.

Silliman disse que, para continuar na carreira após deixar o Iraque, teria precisado de uma indicação do governo Trump para outra embaixada, um cargo de alto escalão em Washington ou uma função equivalente. Como esses postos passaram a ser destinados principalmente a indicados políticos, diplomatas seniores foram levados à aposentadoria.

Daniel Benjamin, presidente da Academia Americana em Berlim e ex-coordenador de Contraterrorismo durante o governo Barack Obama, afirmou que a diplomacia tradicional perdeu espaço. Ele também observou que ocupantes de cargos políticos dependem dos diplomatas profissionais para executar o trabalho.

Postos sem embaixador

Susan Page, primeira embaixadora dos Estados Unidos no Sudão do Sul, afirmou que a ausência do representante de mais alto escalão transmite ao país anfitrião a ideia de que ele não é prioridade. Ela participou de negociações que levaram ao acordo de paz responsável por encerrar a guerra civil sudanesa em 2005.

Na avaliação de Ryan Scoville, professor da Universidade Marquette e especialista em diplomacia americana, os serviços burocráticos continuam funcionando, mas a influência política dos Estados Unidos fica prejudicada. Sem um embaixador com autoridade, experiência e nomeação confirmada pelo Senado, o governo americano tem menos capacidade para negociar com autoridades estrangeiras.

Dinkelman foi encarregado de negócios dos Estados Unidos nas Bahamas de 2011 a 2014. Ele relatou que a posição limitava sua atuação em reuniões com autoridades locais, mesmo quando mantinha contatos com representantes brasileiro e chinês.

Consequências de longo prazo

Silliman considera que a situação pode mudar com um futuro presidente democrata, mas reconhece que a alternância de estratégias entre governos gera custos. Para ele, a diplomacia americana tende a ter menos estabilidade e profissionalismo se cada administração tentar reformular o Departamento de Estado.

Dinkelman argumentou que a saída de diplomatas experientes prejudica a formação dos mais novos e pode criar um vazio por 20 anos ou mais. Benjamin lembrou que, durante o governo Bill Clinton, havia diplomatas com alto grau de especialização e redes de contato valiosas. Para ele, a perda desse núcleo reduz a capacidade do país.

Susan Page afirmou que o desmantelamento do Serviço Exterior pode persistir por muitos governos, inclusive de oposição, porque mudanças dessa dimensão são difíceis de reverter.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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