O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que pretende criar uma polícia especial para enfrentar o crime organizado nas comunidades. Ele também disse que, caso seja reeleito, vai propor um ministério exclusivo para a segurança pública, área atualmente vinculada ao Ministério da Justiça.
A proposta foi apresentada durante entrevista ao programa Canal Livre. Lula declarou que a criação do novo ministério dependeria da aprovação de uma emenda constitucional e defendeu uma Força Nacional com capacidade de intervir em diferentes situações. “Nós precisamos de uma Força Nacional preparada para ser Força Nacional, com soldados preparados”, afirmou.
Estratégia contra o crime
Na avaliação do presidente, as intervenções federais com participação das Forças Armadas não produziram o resultado esperado. Ele disse que criminosos deixavam as comunidades durante a presença do Exército e retornavam depois da saída dos militares. Para Lula, a atual Força Nacional é importante, mas não suficiente para cumprir esse tipo de missão.
O presidente criticou operações policiais violentas e defendeu o combate financeiro às organizações criminosas. Segundo ele, o crime organizado se tornou uma indústria multinacional com presença na Justiça, na polícia, no futebol, na política e no empresariado.
Lula também afirmou que a ocupação das comunidades deve ocorrer de maneira ordenada, acompanhada da presença do Estado e de políticas públicas. Ele citou ações realizadas no Rio de Janeiro e o Massacre do Carandiru, em São Paulo, em 1992, ao argumentar que operações letais podem gerar popularidade momentânea, mas não resolvem o problema.
Debate sobre terrorismo
O presidente explicou ainda sua oposição à classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos. Lula associou a posição ao presidente norte-americano Donald Trump e diferenciou o terrorismo atribuído às facções brasileiras daquele que chamou de terrorismo de Estado.
Para ele, a violência praticada por grupos criminosos impede a livre circulação e a convivência nas comunidades, mas a resposta deve combinar segurança, presença estatal e políticas públicas.








